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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
TUDO ISSO E O CÉU TAMBÉM
Não dá, o pai tá quebrado
Mas é só um carrinho
Já disse o pai tá descapitalizado
O que é descapitalizado pai?
É estar durinho
Putz pai, assim o carrinho não sai
Olha meu filinho
Eu jogo o pão para cima
e a chimia virada para baixo logo cai
Mas pai, larga de ser sovina
Me dá um simples carrinho, vai...
Tudo bem, vai no boteco da esquina
Pede para pendurar para o pai
O pai, o que é pendurar?
Eu não quero um chapéu
Quero um carro para brincar
É fiado guri, Deus do céu
Será que tudo tenho que explicar
Tá vendo pai, o tempo que perdeu
Bem que dava para um carrinho fabricar
Tá bom guri, o carrinho então é teu
Traga a madeira que o pai vai serrar
O pai, eu não quero uma motosserra
Eu quero apenas um carrinho
Assim tá difícil, como tu puxou pela genitora
Pronto, tá aqui teu brinquedinho
O pai, o que é genitora?
É aquela que inventou de ter você dentro do carro
Agora deu no que deu
Hum?
Deixa para lá filho, testa as rodas
Vrum........
O pai, bem que poderia me comprar um avião...
P. Q. P... Tem coisa que se nega só com palavrão...
P q tu queres um avião meu filho
É que lembrei que a mãe é aeromoça
Sim, ela começou como frentista meu filho
Decimar Biagini
domingo, 26 de setembro de 2010
Racional ou Emocional?
Nós temos mania
de tentar tirar na cabeça
o que está no coração
Sempre existe um belo jeito
de fugirmos de nós mesmos
É como desligar o rádio
no meio de uma ótima canção
Para onde iríamos
vagando de dimensão em dimensão?
Na noite
vou conhecendo
um pouco mais sobre mim
Penso que já é tarde
melhor mesmo é dormir
Toda conversa é boa
quando ela chega ao fim
Conversar comigo mesmo
"é entrar sem sair".
Decimar Biagini
CHASQUE
Entre a loucura
e a embriaguez
Eu estava ali
Na vida de criatura
Sofrendo como uma rês
Eu estava ali
Na bandida inspiratura
Buscando no poema a lucidez
E você nobre poeta de Pelotas
Onde estava? Morrendo sem ter nascido?
Ou estava escondido nas grotas?
Onde estava? Escrevendo no puro improviso?
------------
Ah!, poeta cruzaltense, te digo
Estive na paz do abrigo, aquecido
Pelo amor da musa e dos filhos amigos
Fazendo contas de cabeça e indeciso
Eu estava aqui
Recobrando a envergadura
Para a minha torpez
Eu estava aqui
Reinventando uma cura
Para as contas do mês
Eu estava aqui
tomando cana pura
pensando whisky escocês.
Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
DOIS POEMAS
QUANTO MAIS EU ESCREVO
Quanto mais eu escrevo
Mais me contradigo
Sou alma em alto relevo
O que digo logo desdigo
Arquiteto versos e me atrevo
Na esquina do improviso
Com adrenalina em meus nervos
Almejando no leitor um sorriso
Ou então o despertar de medos
Pescando sua dor sem caniço
Quero a eterna combustão
Enquanto minha verve permitir
Revelando-me sem exatidão
No pranto que me faz mentir
Suando sem derivar da profissão
No encanto do poema a esculpir
Eu choro, eu grito, eu danço
Eu levo à musa para casar no parnaso
Eu imploro, eu brigo, eu canso
Me atrevo a versejar sem embaraço
Morro e renasço ardentemente
Desvendo-me na cegueira do ego
Socorro com abraço comovente
Perfumando-me no jardim que rego
Escorro pelo laço contradizente
Buscando em mim a rima que prego
No forro do teto adjacente
Carregando um querubim e um diabo
Decimar Biagini
ABANDONO
No início do terceiro milênio
Quando tudo parecia perdido
Onde o poema morreria em silêncio
Onde o poema estaria sucumbido
Onde o livro de papel ficaria abandonado
Muitos poetas novos têm escrito
Fazem blog, comunas e deixam recados
Mas o sonho ainda é um livro lido
Pelos ridentes céus se espalha agora
A obra conjunta de muita gente afora
Não mais silentes na navalha de outrora
Não tão bucólicos e sem amizade que colabora
São os novos poetas, sem tanto abandono
Em obras abertas, porém, continuam sem sono
Decimar Biagini
RESSENTIMENTOS
Pois vergonha e lágrimas
Fazem desse mundo o inferno
Que se proponha o virar das páginas
E saia fecundo o existencial inverno
Que se aprenda com as obras erradas
E caia o profundo mal eterno
E que se renda o abraçar nas guerreadas
Esse arremesso em queda livre
Que hoje denominamos de vida
É o recomeço que não tive
E que hoje proclamamos de acolhida
Venha cá, meu irmão, me dê o abraço
Que a passagem neste chão é tempo escasso
Decimar Biagini
A MORTE E O FOCO DO POETA
Registrei em poesia e soneto
Ou na trova que improvisei
Desde o fogo do primeiro beijo
Até o sonho de ser amigo do rei
O poeta é altivo pecador sereno
Que quando não relata inventa
O leitor degusta o copo de veneno
Em cada rima que ele experimenta
Na sonoridade de um recital
Ou nas lágrimas de um pajador
Linhos revolvidos no surreal
Na febre das páginas do amor
Na languidez do abraço poético
Nos dedos e olhos do escandir
Tudo que eu desejei foi profético
Até na despretensão do meu sentir
Agora vou embora deste plano
Deixarei de sonhar o que não vejo
E de relatar este mundo de engano
E tua leitura será meu último desejo
Daí irei descansar no eterno sono
Decimar Biagini
DA JANELA VIRTUAL
Acompanho os dias
Sem cair na real
Sem sentir alegrias
Escrevi poesia
Com versos tristes
Com dedo em riste
Esqueci da magia
Da janela virtual
Contemplo o vazio
Faço poesia atual
E tomo meu vinho
E se faltar amor
que não me deixe
um arcoíris sem cor
ou água sem peixe
Da janela virtual
Debruçado
e sem esperança
Feito um animal
Angustiado
Da vida que cansa
Observo meu final
Sem ter boa lembrança.
Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
A PRÁTICA E O FOCO DO POETA
Registrei em poesia e soneto
Ou na trova que improvisei
Desde o fogo do primeiro beijo
Até o sonho de ser amigo do rei
O poeta é altivo pecador sereno
Que quando não relata inventa
O leitor degusta o copo de veneno
Em cada rima que ele experimenta
Na sonoridade de um recital
Ou nas lágrimas de um pajador
Linhos revolvidos no surreal
Na febre das páginas do amor
Na languidez do abraço poético
Nos dedos e olhos do escandir
Tudo que eu desejei foi profético
Até na despretensão do meu sentir
Decimar Biagini
sábado, 25 de setembro de 2010
BLUSA AZUL
VESTIDA DE POESIA
Surgiu a Musa na porta do poema
Estava vestida de poesia
A noite caiu, leve como uma pena
E sua investida rendeu alegria
A amplitude de minha íris
Desenrolava no gozo da loucura
Caminhávamos entre lírios
Ouvindo cânticos de ternura
De repente acordei, lúgubre
Inquieto e sozinho na erma noite
Ao menos lá fui rei, agora fúnebre
Enterro meu sonho, triste e afoito
Decimar Biagini
SEGURE FIRME
Na estância Santo Antônio
Recebeu um legado
Pois faleceu seu avô no outono
Segurou firme
A barra de tocar sozinho
Na pastagem sublime
Cheia de gado e passarinho
A vida lhe fez um crime
De tirar-lhe o seu vozinho
Lançou-se então na encilha
Apertou a xinxa
E jogou o xergão em cima
Gritou nao te mixa
Pois a maturidade se aproxima
Minha alma é gaúcha
Meu avô se foi, mas a vida ensina
Lembrando dos dizeres
De seu esteio da querência
Segure firme os afazeres
Que chorar é para criança
E homem não chora
Já dizia seu vô na estância
Pega o pingo e toca embora
Que morreu a tua infância
Decimar Biagini
NÃO ME DEIXE SÓ
ter tudo o que desejo
Que o que é visível
Nem sempre eu vejo
Sou cego e maluco
Por vezes até surdo
Nos versos me machuco
Ou dou risada do absurdo
Preciso muito do leitor
Nos dias que a Musa some
O poeta sem seu calor
É como ingerir sem ter fome
Decimar Biagini
sábado, 18 de setembro de 2010
ERGUEU-SE, E TENTOU NOVAMENTE ...
Diante da vitória?
Tantas oportunidades
perdidas no tempo
renovadas vontades
esquecidos lamentos
Ergueu-se
E tentou novamente
Iria tomar agora?
O remédio da glória?
No ápice da conquista
aumentou sua cota
e num golpe de vista
ignorou a derrota
Ergueu-se
E tentou novamente
Iria enfartar agora?
De forma tão vexatória?
Remontada emoção
para viver da ansiedade
escancarado coração
em busca da felicidade.
Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
QUANDO EU PARTIR
Deixarei algo de mim
E não será o meu fim
Quero ver a Musa sorrir
Como um anjo querubim
Acalmá-la no seu sentir
E explicar por que vim
E agora estou a ir
Quando eu partir
Deixarei a semente do amor
E o coração ao se abrir
Será comovente em seu torpor
Vou ali, querida Musa
E volto já, caso queira Deus
Por isso meu poema abusa
Indo embora sem dizer adeus
Pois logo logo a gente se cruza
Em caminhos meus e seus
Decimar Biagini
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
SONETO PRESO E TRAUMÁTICO
Na fraqueza de minha limitação
Procurei dar nome ao universo
Na sutiliza de minha ambição
No auto-descobrimento infesto
Na poesia presa pela indecisão
No meu desenvolvimento inverso
Na ironia da poética regressão
Cronicamente deprimido e quieto
Sem guia ou dialética direção
Criticamente emudecido em protesto
Na agonia da patética projeção
Eu andei pelo caminho que detesto
Na idolatria da profética frustração
Decimar Biagini
O FALSO SONETO LIVRE
Sem que custe a medalha
É triunfante prosperar
Sem o corte da navalha
O resultado a procurar
Sem que a vida se valha
Do frustrado ao se enganar
Em um fogo na fraca palha
Mesmo algo tão pequeno
Na fraqueza capaz de chorar
É um soneto tão terreno
Incapaz de me consolar
Sem ser livre ou ser pleno
Em quatorze versos a trilhar
Decimar Biagini
FERMENTO
De forma aleatória
Sem muito jeito
De forma simplória
Mas ficou perfeito
Na padaria da Glória
Comeu o prefeito
E toda sua escória
A fatia com defeito
Na ocasião da vitória
Foi dada no pleito
À empreiteira uxória
Do candidato eleito
Decimar Biagini
ATAVISMO
Todo vinte de setembro
Os cavalarianos cultuam
A chegada de mais um membro
E desfilam pela rua
Bem que eu me lembro
De um menino sentando a pua
Em um poney rengo
Com espora que não era sua
Agora ele doma cavalos
Na estância dos falecidos
Morreu em Fortaleza dos Valos
Depois de pinotes suspendidos
Decimar Biagini
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O VIL METAL
E eu com a bunda
À cinqüenta centímetros do chão
Em poemas que socorrem
A vida moribunda
De um advogado sem capitalização
Em poesia profunda
Com sintomas de depressão
Decimar Biagini
AS AVENTURAS DOS IRMÃOS BIAGINI
Vai lá maninho
Pega o chinelo
Vai devagarzinho
Senão acorda a colméia
Pega a vara de marmelo
Mano, a vara envergou
Agora corre e chama a véia
Que a abelha-rainha acordou
Decimar Biagini
MEDO DE ALTURA
Dê-me a escada maninho
Vamos pegar laranja do céu
Mas a escada é pequena?
Já chega a mancada do mel
Fui pegar teu chinelinho
E to com ferroada a fuseau
Deixa de ser bobo, pega lá
Você sobe pois é mais leve
Assim é o jogo, para de reclamar
Somos só dois e você é uma lebre
Mas e agora Decimar?
Aqui tá alto demais
Pega as laranjas e bota na camisa
E não olha para trás
Se o cachorro do vizinho chegar me avisa?
Claro, meu pequeno rapaz
Grrrrrrrrrrr, Au Au
Maninho, to indo, tchau....
Decimar Biagini
Homenagem ao eterno maninho: Diones Biagini
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
O LAGO DA ALMA

Minha mente agitada
Lembra o lago ondulado
Em uma alma dilacerada
Não há nada reflexado
Sequer as condições
São propícias para refletir
As estrelas e constelações
Elas ficam trincadas no meu sentir
Preciso externar serenidade
Na pressão da vida moderna
Largar mão da comodidade
Que tenho na poética caverna
Buscar o nível Alpha da eternidade
Sem me dissipar em gotículas
Buscar lá no lago, em sua profundidade
A recomposição de minha vida
Decimar Biagini
O SURGIMENTO DA POESIA
Fruto da necessidade de comunicação
entre elementos da alma que não cala
Produto da oralidade e da contemplação
O poeta recita a alma nas salas
insinua a linguagem enamorada
em versos embecados de gala
cria mundos no alicerce do nada
Das narrativas primitivas surgiu o ritmo
que é a sonoridade da palavra já cantada
ou simplesmente o rimar no aspecto lírico
Os versos decantados ganharam asas
do aço diluído na palavra revelada
e vida capturada em contexto estilístico.
Decimar Biagini & Wasil Sacharuk
ILUSÕES
Gerei uma energia necessária
Pensamentos em crescente
Que dei à poesia libertária
Um exercício muitas vezes repetido
Tantas vezes que me fez pensar
O ofício é inconsciente e sem frear
Nos revezes da verve em meu sentido
Hoje é dia de poesia ilusionista
Todos os dias são dias do poeta
Nesta atividade lúdica circista
Rápida a rima e incerta a meta
Flexível e consistente ao leitor
Na ilusão de encontrar a mesma vista
Quase crível e comovente o ator
Que tira coelhos da poesia otimista
Decimar Biagini
GELATINA
E ncaixado em
L údicas promessas
A tração fatal
T orturando
I ndulgentes obesas
N a tentação de suas
A lmas presas
Decimar Biagini
O ALEIJADINHO
Visitei lugares celestiais
Havia uma igreja em cada beco
E dois padres em cada altar
Mas o que é de impressionar
Foi a arte barroca de Aleijadinho
Esculpida de forma espetacular
E tudo muito detalhadinho
Depois disso visitei as repúblicas
E não mais quis voltar às igrejas
Dediquei-me as atividades lúdicas
Decimar Biagini
CONTRADIÇÃO
Quem dera ser um santo ou anjo
Estou farto de achar sem constatação
De fechar a rima com arranjo
Estou farto de escrever em catarse
De buscar consolo na leitura elogiosa
Estou farto de ter que ter nova frase
Sem ter o direito de repetir a palavra odiosa
Estou farto de muitas coisas nesta vida
Ser poeta é viver de maneira fantasiosa
Mas a minha fantasia tem estado adormecida
Decimar Biagini
PALAVRAS QUE ACALMAM A ALMA
Percorro caminhos literários
De escribas contemporâneos
Fragmentos de sonhos lendários
Na interpretação de sucedâneos
A tela azul renova a esperança
De um céu que brilha no virtual
E o poeta com a poesia dança
Em um baile que conduz o real
Observo cada palavra improvisada
É até os retalhos de parnasos
Em cada frase por mim criada
Deixo nas palavras meus pedaços
Talvez não sobre nada do poeta
Mas com o leitor sobrarão laços
E então a obra estará completa
Decimar Biagini
domingo, 12 de setembro de 2010
O ÚLTIMO POEMA
Não consegui libertar o meu eu
E não vi só felicidade no amor
Nem nas rimas que o insight teceu
As “vítimas” de meus poemas
Assim são definidas por que deixaram
se levar por melodias serenas
e verdades sabidas que se moldaram
Nessa minha última escritura
Mais uma leitura aos que me interpretaram
De um poeta sem conjectura
De poesia pura aos que me acompanharam
Onde se uniu a existencial lonjura
Entre os que sozinhos nelas se identificaram
e decidiram tomar partido da leitura
Dando novo sentido e alcance
Direi que muito valeu a pena
Mas, infelizmente, não terei nova chance
Pois sepulto aqui, meu último poema
Decimar Biagini
sábado, 11 de setembro de 2010
DOIS IMPROVISOS
O PRESENTE
O menino morava
Em uma comunidade carente
E seu pai trabalhava
Na caridade como servente
Para ele, seu pai era herói
Pois fazia casas à toda gente
"Grandes coisas ele constrói"
Dizia o guri em forma comovente
Um dia seu pai não voltou
Cantaram-lhe a música do boi da cara preta
E então o menino chorou
Dizem na favela que foi por tiro de escopeta
Todo dia o menino pedia
Um presente para o papai noel
Esperava ansioso e não vinha
De repente chegou uma carta em papel
Era um bilhete de seu paizinho
Que havia sido psicografado lá do céu
E então cresceu o menininho
Hoje é delegado criado no morro do Borel
Decimar Biagini
CRUZES
Eu carrego
Tu carregas
Eu te prego
Tu me pregas
Eu te rogo
Tu me rogas
Eu te afogo
Tu me afogas
Em lágrimas
De pecado
E páginas
De arrependimento
No translado
Do entendimento
Decimar Biagini
ÂNSIAS REVOLTADAS
O espírito anda solto
Procurando nova morada
Tenho andado absorto
Com ânsia revoltada
Não se trata de ódio
Nem mesmo de rancor
A frustração de não ter pódio
De estar longe do meu amor
Decimar Biagini
UMA NOITE DE AMOR
Torcer por uma noite aprazível
Poder sorrir sem fazer alarde
Morrer no açoite do combustível
É nesta hora que a solidão morde
E o poeta se faz tão perceptível
Nada agrada, nem o melhor acorde
Pois o poema que relata não é crível
Algoz e vítima da ficção operada
Na orquestra de sua ópera inconfundível
Atrás da lídima melodia orquestrada
Nada presta longe da Musa insubstituível
Decimar Biagini
ANOITECEU
Na ronda altisonante
Do quero-quero plebeu
Que anda tão distante
E entre tempo e distância
Do qual o poeta é amante
Com descobrimento e ânsia
Se faz o poema num instante
E lá fora grita, o quero-quero
E eu nem sei o que quero
Mas sigo escrevendo com esmero
Decimar Biagini
terça-feira, 7 de setembro de 2010
O SURGIMENTO DA POESIA
Fruto da necessidade de comunicação
entre elementos da alma que não cala
Produto da oralidade e da contemplação
O poeta recita a alma nas salas
insinua a linguagem enamorada
em versos embecados de gala
cria mundos no alicerce do nada
Das narrativas primitivas surgiu o ritmo
que é a sonoridade da palavra já cantada
ou simplesmente o rimar no aspecto lírico
Os versos decantados ganharam asas
do aço diluído na palavra revelada
e vida capturada em contexto estilístico.
Decimar Biagini & Wasil Sacharuk
sábado, 4 de setembro de 2010
SONDA EM PARCERIA
Abano a cauda da poesia no olhar de um leitor
Com liberdade em retratar os sentimentos
Lanço a fralda da alegria no chorar sem ter dor
Com verdade nua e crua, faço os momentos
E compenso a nostalgia de ser mais um ator
Com saudade da harmonia no isolamento
Agradeço a oportunidade sem nenhum rancor
No entanto, algo dói dentro de mim, o vazio
Alguns ossos tremem debaixo da pele em torpor
E, em pranto, amargo do centro ao fim em desafio
Ao redor do fogo, fico esperando um gesto gentil
Mas das chamas louras vejo que foi morto o calor
E sobe na pele, traço riscado, o doce arrepio
Decimar Biagini e Dhenova
O QUE ME ANIMA
É ler na poesia
A a voz que ensina
com sonoridade e alegria
Ensaístas e filósofos
Na idéia que se preconiza
Imitavam a natureza
Sem enterrar os ossos
Para onde vamos
Quais os primórdios
Que fim levamos
São nossos ópios
Fragmentados em planos
De linguísticos colóquios
Decimar Biagini
PONTO FINAL
De um ser em descoberta
Levam dúbias verdades
Sem que haja poesia certa
O poeta é contradizente
Pela escuza da sua verve
Completa o vácuo na mente
E ao leitor atento ele serve
Filosófica, épica, dramática
Mitogênica, coreográfica
Cosmogônica ou plástica
Nesta conceituação gráfica
Sua escrita jamais é igual
Pois tramita sem ponto final
Decimar Biagini
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
FELICIDADE ETERNA
Não é o jardim do teu vizinho
Nem as fissuras no jogo triunfante
É algo assim, no que eu alinho
Nas conjecturas do fogo errante
Que queima a tua alma com vinho
Nestas procuras do poder distante
Que tu teimas sem calma devagarinho
Ansiedade pura de alma inquietante
Que algema teu trauma de ser sozinho
Na verdade dura da palma sem diamante
Quem sabe a jóia está no final do arco-íris
E decerto a glória será algo normal quando vires
E então verás que tudo foi em vão
E morrerás, tão mudo, em solidão
Decimar Biagini
INFOMARÉ
É a interferência
Da lua generosa
Com sua opulência
Porém, como ela
É gravitacional
Por pura excelência
Vem a maré alta
Levando minha nau
Com certa violência
Fazendo-me falta
Na dura existência
E neste desbravar
Cuja arte escrita é incauta
Fico a esperar
Pela volta da maré alta
A me despedaçar
E me refazer
na tela internauta
Decimar Biagini
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
FALTA OU SOBRA AMOR?
Da injustiça festejada
Por úteis imbecilidades
Da preguiça sentenciada
Liminares não concedidas
Por excesso de perquirição
A fulminar algumas vidas
Sedentas por medicação
São juízas mal resolvidas
E juizes com parca visão
Medidas recursais desprovidas
Bloqueio da ampla jurisdição
Sem custas não são conhecidas
Mais uma morte sem redenção
Decimar Biagini
MEU CORAÇÃO PAROU

Perdido no sofá da sala
Escravo de pensamentos
Na existencial senzala
Pensei em tudo, tudo mesmo
Sem sequer deixar de pensar
No cinema mudo, e o entusiasmo
Que o poeta vive a fabular
Vem o leitor, com ou sem sarcasmo
E dá cor e vida aos personagens
Com projetor, acaba com o marasmo
E faz dos versos suas miragens
Então meu coração parou!!!
Devo escrever nessas paragens?
Decimar Biagini
CONTANDO AS HORAS
A cabeça titubeia
e precisa de escora
já passou hora e meia
e a verve demora
Me veio uma idéia
Depois foi embora
A cabeça tá tão véia
Que pensar tem hora
Por isso, meu amigo
que essa onda seja leve
espero que seja breve
Vou agendar comigo
Amanhã só eu e a verve
Para ver se o cérebro ferve.
Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
DESCANSE EM PAZ, MESTRE LAURO VARGAS*
De nobre vocabulário
Ensinou-me a ser redator
Em meu primeiro peticionário
Voz rouca, de tanta sabedoria
Entalada na garganta sedenta
Por ensinar aos de sua categoria
E a classe toda tão atenta
A copiar inclinada na escrivaninha
Ele dizia: - “Não copiem
Pensem no que vão escrever
Deixem que as idéias os contagiem
E depois reflitam no que vou lhes dizer
O advogado para ser bom
Não precisa de modelos”
Disse isso em alto e bom tom
Em proféticos desvelos
Ontem soube da morte do Mestre
A desencarnação é dura de reconhecermos
Mas o que ele plantou virou Cipreste
De sua dedicação e lisura sempre lembraremos
Decimar da Silveira Biagini
• Ao sempre lembrado professor da Cátedra de Processo Civil
e do Núcleo de Prática Jurídica na Unicruz, Erineu Lauro Vargas.