sábado, 17 de março de 2012

A RARA CENTOPÉIA


A RARA CENTOPÉIA

Sempre que visito a casa da vó
Acontecem coisas estranhas
A barriga começa a dar nó
E sinto cólicas medonhas

Não é que vou ao banheiro
E observo uma centopeia
Pensei fixo olhando o chuveiro
E observei sua odisseia

Vi a bicha subindo no lava-pés
Lavou um por um e saiu pelo boeiro
Tudo enquanto eu ia aos pés


Decimar Biagini

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

IDÍLIO NOPENSE

IDÍLIO NOPENSE

O poeta, como todo andarilho
Certamente perderia-se nesse mundo
Caso não levasse o leitor consigo
Certamente seu solo seria infecundo
Se não fosse o afago do crítico amigo

Daí a importância da NOP
A mútua contemplação e valorização
Na simplicidade de um mote
Ou no ludismo de um acróstico em ação

Essa nova ordem que enlaça
Mantém amigos no virtualismo literário
Unindo predadores e sua caça
Na fome poética de um idealismo libertário

Liberdade essa cheia de graça
Na leveza de quem perpetua um registro
Na NOP a poesia nunca é escaça
Na certeza de quem escreve sem egoísmo

Decimar Biagini

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O que esperar do Natal?



Não creio que ficar sentado no sofá olhando o amigo secreto de pessoas famosas faça com que nosso natal seja brilhante, ao menos que o amigo secreto seja substituído por amigo invejoso.

No entanto, há um brilho peculiar nesse ano, tenho a sorte de celebrar a primeira passagem natalina do Rei Arthur, ele ainda não entende muita coisa, mas acredite, os olhos brilham mais que as lâmpadas acesas do pinheirinho quando coloco o carrinho dele em frente a este adereço tão curioso aos focos daquelas duas jaboticabinhas pretas.

Nesse momento estou olhando um programa que ensina a preparar a ceia de Natal, é tudo muito bonito quando não se enfrenta uma fila de supermercado as vésperas do tão sonhado momento em que todos se empanturram e esquecem do nascimento do menino mais famoso do mundo.

Então, espero que todos lembrem do menino, e principalmente, dos meninos e meninas recém-nascidos, e da importância do Natal para a presença marcante das crianças, das mais abastadas as mais carentes, afinal, os Reis magos migraram muito longe para presentear o Cristo Salvador em um estábulo, daí por assim dizer que o Natal é um exercício de humildade e desejo de continuidade, olhar uma criança num momento como esses é ter o gostinho da eternidade renovado a cada ano, com esperanças que podem ser brindadas facilmente com um brut ou um copo d’água, desde que ungido pelo verdadeiro espírito natalino, o amor ao próximo .



Decimar Biagini

sábado, 3 de dezembro de 2011


MENINO DA CAGANEIRA



Toda vez que eu chego em casa

Com pacote de fralda do Patolino

Meu bebe logo manda brasa

E então eu troco o menino



Decimar Biagini

POÉTICA DIVAGANTE HODIERNA

 


Olhei para o canto inferior da tela
Naqueles dias de navegador intrépido
Lá estava o calendário da virtual janela
Mais um ano passando rápido

Na infomaré não se utiliza barco a vela
Nem cinzas ao mar, ou pomposa lápide
A poesia é uma utopia de “a vida é bela”
Mas será que temos aproveitado ela!

Que essência busca o poeta moderno?
Já não se morre de tuberculose
Sequer há rascunho ou algum caderno
Tampouco há tinteiro aqui perto
Aboliram o uso indiscriminado da celulose

Pouco a pouco o mundo inteiro ficará descoberto
Em um único clique de um curioso esperto
Enquanto alguns poetas morrem de overdose
E algumas coisas mudaram por certo
A velha semântica leva a mesma pitada de psicose!

Decimar Biagini

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

LUZ PRÓPRIA

LUZ PRÓPRIA


Todo pai
Vive uma tensão
Logo cai
A angústia do coração

Nem todo pai
Ama sua criação
E assim se vai
A grande contradição

Entre rimas de ai
Entre rimas de ão
O verso então sai
Sem deixar nenhuma lição

Cada filho traz consigo
Uma luz própria cintilante
Um anjo da guarda amigo
E Deus, as vezes distante
Mantém o filho esquecido
Como um enterrado diamante

Até que um belo dia
O mineiro amor, num instante
O ensina a brilhar com alegria
Eis a graça, o mistério triunfante!

Decimar Biagini

sábado, 26 de novembro de 2011

NUMA PRAÇA

Numa praça

Por longos anos deixei de visitar aquele ambiente lúdico
Muitos enganos vivenciei ao me afastar, indiferente e pudico
Sim, eu tinha vergonha, de ir lá sem motivo algum
DE não ter sequer uma semente para colocar no escorregador
Daí, veio a cegonha, e uma paternidade instintiva me trouxe um:
Filho, que inspira cuidado frequente, e exige brincadeira com amor.
Não vejo a hora de embalar os sonhos de Arthur num balanço
E percebo que agora, ao poetar ao lado desse abajur, não me canso:
De esperar que lá fora, possa caminhar com muita luz, em descanso,
numa praça.

Decimar Biagini

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

SINAIS E MISTÉRIOS NA PATERNIDADE

Primeiramente, os sentidos ficam aguçados, é possível perceber crianças chorando a quadras de distâncias, em meio a uma multidão de consumidores falantes, na rua mais movimentada de sua cidade.
Em segundo, você observa que quando o pequeno está com fome, seu coração fica eivado de palpitação e ansiedade, em contrapartida, sua mulher tece vermelhidão e o leite começa a escorrer pelos inchados bicos de seus sagrados seios.
Em terceiro, baba-se muito, dorme-se pouco, mas depois seu despertar acostuma, é possível trocar as fraldas de um bebê sem acordar, você percebe isso quando abre a gaveta na manhã seguinte e descobre que é hora de comprar mais fraldas RN (recém nascido), com o tempo, lendo estórias infantis, você atribui o sumiço daquelas fraldas ao saci pererê, ao negrinho do pastoreio ou ao bicho papão, mas o mito cai antes disso se for você o responsável pelo recolhimento do material na lixeirinha lotada.

Decimar Biagini, 16 dias de vida pós-uterina do Rei Arthur.



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

COTIDIANO DE PAI POETA


COTIDIANO DE PAI POETA

Abri a janela da sala e deixei a brisa consagrar o ambiente com o frescor de uma sexta-feira esperada. Ouvi o chiar da chaleira e corri com Arthur no colo entregando no meio do caminho ao aconchego do carrinho vermelho Ferrari. Nisso, toca a campainha, uma amiga da Musa veio trazer um regalo ao recém nascido, tratava-se de um macacãozinho de verão azul e laranja que me remeteu aos idos píncaros da glória infantil. Abri a internet e li um grande conselho em forma de chasque (estrutura de poesia versejada eivada de regionalismo), do meu irmão das letras, Wasil Sacharuk, correu então o sal dos olhos e mostrei para a Musa. Então interrompi o início dessa crônica, com o choro do King Arthur esbanjando capacidade pulmonar e exigindo de seus vassalos o leite sagrado. Entreguei o esperto Monarca a sua Mãe e nisso piso em cima das lembrancinhas de visitas do dito cujo, o olhar da Musa foi suficiente para que eu encerra-se esta atividade lúdica e desse mais atenção à família, o retorno ao mundo virtual será quando da postagem desse registro descompromissado de pai de primeira viagem.

Decimar Biagini





Chasque Conselheiro



Índio véio,

te vi no retrato

segurando o piazito

já veio arrinconado

do pampa não é agregado

tem graça de predestinado

igual ao mito



Leia muita história

e refresque a memória

com uns aguachos de vinho

e compra lá do vizinho

umas botejas de mel

lá de perto do espinilho

com doçura de céu

e perfume de filho



E ainda, amigo gaúcho

conserva quente o apojo

e não te tapa de nojo

de ficar borrado nas fraldas

e durante a troca

escape do esguicho

saia da mira da piroca



Será o mais lindo cambicho

guri tapado de balda

e vai ensaiando uma charla

para não criar caborteiro

e aceite meu velho conselho:

não aperte demais o arreio



Se escutas um ronco de gaita

tocando desgovernada

não deixa para depois

aprende logo com a prenda

a servir logo a merenda



E lhe mostre a poesia

para que seja letrado

e viva com mais alegria

mas não fique abichornado

quando chegar o dia

do indiozito partir a la cria

para conhecer outros lados



Nosso Rio Grande se eleva

com fruto nascido do amor

é quando o grito da terra

ganha mais timbre e mais cor.



Wasil Sacharuk







CHASQUE AGRADECIDO

Querido amigo

Andei distraído

Me deparo contigo

Postando este lindo

Chasque aqui lido



O quera dá orgulho

Enche os olhos do babão

E não há pecúlio

Que pague tua atenção



Obrigado pelos versos

Acolho os conselhos

Umedecidos são os lenços

Quando enxugam espelhos

Na poética licença



Irmão das letras

Que magnífica amizade

Enquanto observava tetas

Cheio de baba e vaidade

Encontrei aqui tuas escritas

A encher de luz minha paternidade



Decimar Biagini

domingo, 6 de novembro de 2011

PERCEPÇÕES

PERCEPÇÕES


O carpete está sujo
O carpete estava sujo
Os pés estavam limpos
Mas os tênis tinham vincos

A lareira está suja
A lareira estava suja
Os deuses do Olimpo
Mantinham templos limpos

Decimar Biagini

PAIXÕES ADORMECIDAS


Observo atentamente
Deus confirmando sua presença
Naquela energia latente
Ungida sobre a Musa e a criança

Sonho a cada dia
Com os olhos bem abertos
Eivado de alegria
Sem escolhos e dias incertos

A vida nos aproxima
Para entender a existência
E nada ela nos ensina
Se não buscarmos sua essência

Arthur está dormindo
A Musa esbanja excelência
Esse babão vai sorrindo
Com verso, rima e cadência

Decimar Biagini

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O NASCIMENTO DO REI ARTHUR

Queridos amigos, poetas e leitores.


Andei afastado, de licença paternidade.

Meus poemas, são caretas, arrotos e dores.

Quando animado, uso lenço umedecido.

Meus lemas, são fraldas, banhos e odores.

Ainda hospitalizado, e mal dormido.

A Musa recupera-se dos pontos de roxas cores.

Muito tenho babado, ao lado do recém-nascido.


Arthur nasceu prematuro, a rimar com hispânico Arturo.

Veio ao mundo num dia de finados, em cesárea de apuros.

Os pais estão bem cansados, dando colo e mimo no escuro.


Entre uma mamada e outra, fina prata, sentimos a força do pulmão.

Ele decididamente não gosta da turma do Jaleco.

Não é que já saiu mijando no pediatra quando veio a este mundão.

Agora, é frequente, dorme no peito e o faz de bico.

Exige que seja balançado, não tem jeito, dominado eu fico.

Vida de pai é um mistério, sou súdito sem direito, o Rei Arthur que é o rico.


Decimar Biagini

domingo, 16 de outubro de 2011

O TAL DO CHÁ DO BEBÊ



Então era Sábado, isso lá pelo meio dia
A Morena encomendava os salgados
A vovó do Arthur fazia o bolo e a torta fria
E eu pegava alguns produtos nos mercados

Entre uma lista de afazeres
Trocava a lâmpada que queimou na garantia
Filas, e alguns desprazeres
Fixava a tampa da caixa do vaso que se abria

Comprei uma pua de pedreiro
Uns parafusos, e cimento-cola
Então se foi todo meu dinheiro
Quando no semáforo dei esmola

Nisso joguei voley por uma hora
A Musa ficou brava, pois tinha de buscar a cunhada
E assim retornei, e vamos embora
E o tempo conspirava, contra a agenda alinhavada

DE noite, massagem na barriga, ninho do Arthur
A mão travava, o creme dava liga, e sem abajur
Eu me inclinava para apagar a tão esperada tomada

No domingo, tudo arrumado para o chá do bebê
Nunca vi tanta mulher falando no mesmo local
Parecia uma torre de Babel, não sei pra que
Me soquei no quarto, para assistir a dupla grenal

Numa que outra me chamavam para tirar foto
Depois que descobri como filmar foi um alívio
Então voltei para o quarto com salgados e um copo
Pois quando vi começou a esvaziar o comício
Um monte de fraldas descartáveis, ganhei na loto
No final, o último convidado disse: - é só o início

Decimar Biagini

sábado, 8 de outubro de 2011

MAS TANTO FAZ, AFINAL VOCÊ ME LEU





Sabe que nunca vi um milionário

Tampouco conheci um José Rico

Sabe que nunca ouvi um canário

Tampouco o diferenciaria do tico-tico



Sabe que eu acho esse poema hilário

Falo coisas sem nenhum sentido

Sabe que lendo isso ao contrário

Eu calo por causa do meu improviso



Decimar Biagini


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

8 MESES EM SEU VENTRE


Estou lhe escrevendo,
só para saber
o final do poema
A vida não é um conto de fada.

Mas não estou gostando.
Acalme-se para ver.
A leitura valerá a pena,
não pisque para não perder nada.

Bom, o último verso vem chegando.
Eu vim aqui para lhe dizer
o quanto amo você morena.
E o quão estou feliz em vê-la grávida!

Decimar Biagini

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