DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Semanas vorazes

Semanas vorazes

A semana está tão curta
Que estamos divididos
Uns pensam na sexta
Outros nas dívidas

Quinto dia útil está aí
Conjugado com anseios
As contas que contraí
Trazem números bem feios

Ações prioritárias
Saúde, funcionários ou pinga
Questões primárias
Atitude, salários ou costela minga

Que tal dormir para não gastar
Pois até furar festa exige preparo
Condução, traje e se atualizar
Atualmente até postar na nuvem sai caro

Olimpíada na TV?
Quem sabe com a luz já cortada
Consiga frestiando as janelas de vizinhos
Crise pra quê?
Se a sorte está lançada
Na vida dos que se viram
por outros caminhos

Agora antes de cortar os pulsos
Peça para seu vizinho não assistir Faustao
E quem sabe ressurjam impulsos
Que existe vida logo após o domingao

Decimar Biagini

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Viver como monge, não tá longe

Como viver com pouco?
Eis uma pergunta difícil!
Parece te deixar louco?

Os políticos compram edifício
Enquanto você paga aluguel
A conta entao fica difícil
Quando o mercado vai ao céu

Um publicitário paga fiança
Coisa pouca, 45 milhões
E a justica aceita na confiança
Sem verificar origens e intenções

Mas você tem que aprender
a viver com humildade
Esqueça o que já gastou
Afinal, a democracia mandou
Estudar e fazer faculdade!

Decimar Biagini

domingo, 31 de julho de 2016

Certa idade

Depois dos trinta e quatro
Me refiro a idade
Não é muito de fato
Mas já não se é dono da verdade
Diante de um filho amado
Que te repreende já com quatro

Depois dos trinta e quatro
Passa aquela utopia de mudar o mundo
Pois o populismo se torna chato
Quando se tem tanta desilusão de fundo

Depois dos trinta e quatro
Pisasse um pouco no freio
Tendo saúde já se sente grato
E mesmo gordo já não se acha feio

Depois dos trinta e quatro
Surge uma crença interior
Torna-se um pouco sensato
E se esquece do jovem ator

Depois dos trinta e quatro
Enterra-se algumas perspectivas
Isso até se torna chato
Mas de que valem falsas expectativas?

Depois dos trinta e quatro
Ainda não se pensa em reviver o passado
Recém se comemora o presente
Como um vinho após a colheita, degustado

Decimar Biagini
31 de julho de 2016

domingo, 10 de julho de 2016

Trajetória insalubre

Trajetória insalubre

Nenhum adversário
Mais brutal que a vida
Implacável cenário
após a alma concebida

Começa com uma corrida
Depois nos prende em conforto
No parto, calmaria é rompida
Rasgando os pulmões bem forte

Uma viagem nostálgica
Buscando retorno ao útero
E como num passe de mágica
Passa tudo rápido e fútil

A aventura só é percebida
Quando se conta de trás pra frente
Pois é triste a despedida
Do vencido ser vivente

Decimar Biagini

Estamos prontos?

Corremos para um caminho
A grande via sem pista de retorno
Pequenas aves tiradas do ninho
Como codornas azeitadas ao forno

Seguimos preconceitos sem resposta
Intuitivamente apelidamos o destino
Com coisas que nos convem acreditar
Sentimos rejeitos de quem não nos gosta
E passamos então a nos amargurar

Perdemos as penas procurando liberdade
Num pequeno intervalo antes do crime
Cujo carrasco não quis sequer se apresentar
E ao perceber erros clássicos já é tarde
Hora de nos tirarem do forno e servir o jantar

Decimar Biagini

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dúvidas de um viajante

Há cem anos
Eu aguardava
Na central do Brasil

Um novo encarne aguardava
Vagava pelos vagões
E não encontrava
Nada que pudesse vestir no Rio

Uma cidade maravilhosa
Se via baleias na Guanabara
Pensei em ser sambista
Mas vagabundo caia no pau de arara

Pensei em ser malandro
Mas a concorrência me anularia
Pensei em ser político
Mas não era hora da democracia

Sondei os poetas
Mas não saiam de casa
Tampouco pegavam trem
Pensei em ser aviador
Mas avião ainda não voava

Soou então o apito
Subi num beco perto da estação
E o resto não lembro bem
Até a próxima reencarnação

Decimar Biagini

terça-feira, 28 de junho de 2016

Escrever por verve

Escrever por verve

É acampar de noite no mato
Buscar lenha sem lanterna
E não saber ao exato
quem te arranha pela perna
Se uma onça ou um gato

A curva da frase pela rima
Em cada estrofe desconhecida
É como a luz que se aproxima
Causando surpresa ao escriba

Decimar Biagini

Virtualidade escrava

Virtualidade escrava

Escreva algo
No que está pensando
Torne a vida de seu amigo mais feliz

Não sou mago
Nem sempre estou criando
Também não posso escrever o que não se diz

O Facebook exige muito
Não te deixa absorto
É aquele mala aflito
te tirando da zona de conforto

Mas tudo bem
Aqui estou eu
Por falta de opção
Há  malas que vem de trem
Outras de avião

Escrevo nas nuvens
Quando não convém
Pois é dura a solidão

Decimar Biagini

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sonetilho de inverno

Sonetilho ao inverno

O sol está mais longe
A noite se estende
A lua não se esconde
A fogueira se acende

O poeta não se arrepende
Daquela taça a mais tomada
A musa então se rende
À verve da madrugada

O caminho da retomada
Nas suaves curvas da colcha
Torna-se quase nada

Na busca do calor humano
Dentre todas as estações
É a invernia, a melhor do ano

Decimar Biagini

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lã tingida

Lã Tingida

Um balde de tinta
Uma nação manchada
Por mais que o senado minta
Não ganha dos deputados

Um balde de tinta
Uma alma lavada
Por mais que o eleitor sinta
a crise está lançada

Desemprego em 12%
Comércio vazio
Professor sem aumento
Pátria que te pariu!

Paguei adiantado
E o pintor sumiu
Votei num deputado
E o ladrão fugiu

Confiei no senado
E todos tem conta no exterior
De que vale um diploma
Se tá cheio de doutor

Fica então a dica,
surge uma centelha
Vê se arruma a mala e sai
Foge para a turma do Mujica
E vai tosar ovelha
Logo ali no Uruguay

Decimar Biagini

domingo, 15 de maio de 2016

Casório numa sexta 13

Como gaita sem fole
Uma noiva sem véu
Quis casar por teimosia

Para brindar sem gole
Sem tenda, só céu
Votos sem poesia

Para piorar! O consolo
Foi deixado pela noiva
Atrás da sacristia

Decimar Biagini

sábado, 14 de maio de 2016

Acrostico

C uidados
A tomar
M undos
I mersos
N oções
H umanas
O cultas

P rocura-se
A lmas
R icas
A lia-se
L ibertos na missão
E ntusiasma-se
Lançados
A uma decisão

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Tempo como senhor dos remédios

Ainda era tardinha
O céu nublado anunciava
Vinho e boa poesia
E cheiro de pão novo na casa

Ainda era tardinha
Era assim que eu chegava
A musa então se rendia
Com a cafungada que lhe dava

A parca rima e a junção
Não era o que me incomodava
Mas sim a grande solidão
Que o inverno passado me dava

Hoje com os tentos
Dividindo atenção na sala
Me trazem bons ventos
Com emoção de perder a fala

O xeroquinho pedindo colo
O maior pedindo o carro
O do meio fazendo bolo
E a musa do lado, é claro

Decimar Biagini

domingo, 8 de maio de 2016

Amor Materno

A infância se enraíza
M antenedora do essencial
O rnamenta e suaviza
R iqueza sem igual

M ansa e segura
A lma abnegada
T ernura sem fim
E ntusiasmante e pura
R aio de sol na chegada
N aturalmente dura
O suficiente, por toda vida

sábado, 30 de abril de 2016

Final de sacana

Final de sacana

O sábado
é um apanhado
de tudo o que você
prometeu
Num próximo passado
Mentiu alterar sua rotina
Para seus familiares
Para si
E para os males da alma
O domingo é o desespero
Daquilo que você prometeu
E por preguiça ou capricho
Passou num entrevero e
não cumpriu.
Sobra então o Facebook
E um dedo no curtiu!

Decimar Biagini

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