Lá no tempo de piá, que saudade que me vem,
Das manhãs de campo aberto, sob olhar de um grande alguém.
Era tempo de infância, de açude e de sanga,
Onde a vida se aprendia entre o pasto e a arapuca manga.
No galope dos cavalos, no respeito ao ovelheiro,
O Pelé negro e sereno, nosso pingo companheiro.
Era escola sem parede, onde a lida ensinava,
O campeiro se fazia com o que a terra ofertava.
Tio Jair, mestre antigo, de causos e risadas,
Galpão cheio, mate quente, noites bem aproveitadas.
Os anciãos bem diziam: "Piada melhor não há!"
E ao final da narrativa, risada mansa a chancelar.
No braseiro do costado, onde a carne bem assava,
O segredo do assador, ele sempre me ensinava.
Hoje, trago na memória e no fogo que sustento,
A herança deste homem que foi mestre e fundamento.
Cinquenta e três primaveras, floradas de um campo vasto,
Filhos formados, família, coração firme e casto.
Que na roda da existência, se repita este refrão,
Comemorando a tua vida, fiel ao laço e ao galpão!
Nenhum comentário:
Postar um comentário