DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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sábado, 25 de agosto de 2018

Passou o dia no celular?

Passou o dia no celular?

A volta da ditadura
O fim da dentadura
A volta da monarquia
O fim da democracia

O que a tem a ver com b?
Pergunta para c
Talvez a anarquia da rede social
Te faça deixar de comer carne
Lá na Venezuela quem come passa mal

Por fim, o espião soa o alarme
E deleta teu post de eleições, que tal?
Tá putinho com a autoridade
Melhor então sair do mundo virtual

Agora se quer fazer como eu
E tolera a exposição com disciplina
Peça perdão poético leitor meu
E entra para o clube da rima

Decimar Biagini
25 de agosto de 2018

Cansamos?

Cansamos?

Eu pretendo
Eu prometo
Vou isso
Vou aquilo

O primeiro compromisso
A primeira crítica
A primeira escolha
E o eleitor com isso?
Haja memória
Tantas mentiras
E a velha história

Falácias formais
Pretensões natimortas
Velhos pactos
De palavras tortas

O Brasil vira anedota
Nenhuma inspiração
E o eleitor se revolta
Com a falta de ambição

Vemos marionetes
Vemos vendidos
Vacas de presépio
E desiludidos
Não tem nem mais ópio
Já quem promete
Tem sujos motivos
Para chegar ao pódio
O Brasil tá morto
E o mundo é dos vivos!

Decimar Biagini
25 de agosto de 2018

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

OBSESSÃO COLETIVA

OBSESSÃO COLETIVA

Eliminar as arestas
E não a dor do débito
Enxergar pelas frestas
Onde a luz traz crédito

A sensualidade devora
Deixamos de ser irmãos
Vampirescos da hora
Fingem serem sãos

Não nos interessam os meios
Cobicamos os fins
E somatizamos deslizes feios

A rede social trouxe feridas na alma
Culpa do distanciamento do mundo ideal
Enquanto o idealista perde a calma
A alma se expõe ao julgamento superficial

Vamos fortalecer nossos laços
Deixar de ser cupidos vampiros
E purificar nossos desejosos traços
Dignidade, respeito sem delírios
Adeus extremismos, adeus aos percausos

Nada mais precioso que um amigo
Quando esse foi da infância
E também os novos que se achegam sem motivo
Deixando de lado a ignorância

Que nossos deleites não nos manobrem
Se necessária a autenticidade
Que os desejos se desdobrem
Em respeito e lealdade

DECIMAR BIAGINI


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Vergonha existencial

Vergonha existencial

Quando contemplamos
A lucidez de uma alma
E então pensamos
Ao ponto de perder a calma

Vem uma vazia existência
Uma sensação de acomodamento
Um frio na espinha e uma ardência
Nos faz refletir naquele momento

Um facho de luz inebria a medula
O brilho volta com estrondo
Um zumbido nos ouvidos acalma
Após um despertar do eterno sono

Vontade de fazer o bem
De resgatar o propósito encanto
E a culpa dessa vez, de quem?
Do Mestre Divaldo Franco!

Decimar Biagini
24 de agosto de 2018


terça-feira, 14 de agosto de 2018

Poema envelhecido

Poema envelhecido

Eu tinha uma playlist
Escrevia poemas diários
Hoje musica não existe
Os poemas são secundários

A fase pós-adulta
Na qual acumulo desculpas
Na poesia quase sepulta
Deixa minha vida oculta

Antes, brincava com as letras
Hoje, a escrita parece luta
A verve fugiu com as tretas
E a metáfora repousa na gruta

Decimar Biagini




terça-feira, 17 de julho de 2018

MOTE DO WASIL NA INSPIRATURAS



Tempestade de letras
Enigmático parceiro
O facebook trouxe perdas
O enter ficou matreiro

Para Wasil tiro o chapéu
O bruxo é versátil e zoador
Parece tango à Gardel
Intrépido como o “holandês voador”

O tempo que fiquei longe
Deixou minha tela cinza
Me retirei como monge
Mas voltei com poesia lisa

Decimar Biagini

17/07/2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

IDAS E VINDAS DA ESCRITA E O FUTURO INCERTO


A poesia nos reconforta
Nos desperta e nos deixa confiantes
A internet é uma porta
Com algoritmos e leitores distantes
Escrever é o que importa
Nos diferencia da google assistente
Já que ela não pode bater nossa porta
Tampouco criar um poema comovente
Talvez um dia os computadores virem poetas
Talvez os leitores se tornem idiotas
Talvez sejamos apenas um produto dentre metas
Vigiados e controlados nas linhas tortas
Infográficos, rastros do que fora escrito no improviso
Sentimentos de catarse e ostracismo
Talvez até lá, nada mais importe, nem mesmo um aviso
Mas enquanto houver poesia humana
Essa continuará mantendo seu papel libertador
Você pode não escrever por uma semana
Talvez sequer escreva por um ano e volte a ser amador
Mas a poesia não sai do poeta
Aí que ele se engana
A obra é sempre incompleta
E a vida é poesia insana!
Decimar Biagini
14 de julho de 2018

SUPERSTIÇÃO QUE NADA!

SUPERSTIÇÃO QUE NADA!

Escrever por escrever
Viver por viver
Crescer por crescer
Ver para crer
Morrer por morrer

A vida é mesmo um sonho
Quando se ousa acordar
Vira um pesadelo medonho
Que nos faz balançar

O que agora proponho
É voltar para a cama
Note no colo e um vinho
Friozinho e bom pijama

Olhar para a musa e o filho lindo
Sensação de conquista e jubilo
O poema parece estar sorrindo
Com aquele orgulho meio ingênuo

Tão bobo de tão feliz
Uma calmaria que dá medo
Como um poema que diz
Não comemore, ainda é cedo!

Decimar Biagini - Tchau Sexta-feira 13
14/07/2018

quinta-feira, 27 de julho de 2017

RENASCIMENTO - 31 DE JULHO

RENASCIMENTO

O primeiro passo
A primeira decepção
O romper do laço
A umbilical indagação

O conforto escasso
O romper do pulmão
A busca pelo espaço
O choro da salvação

Com alento materno, em 31 de julho
Tive meu desembaraço
Era inverno, reencarnei com orgulho
Hoje, meu tempo é escasso!



Decimar da Silveira Biagini

domingo, 4 de junho de 2017

ADVOGAR EM CAUSA PRÓPRIA

A vida é um benefício
Usufruído em desatino
Segurá-la é tão difícil
Por culpa do algoz destino

Cada dia uma petição
O processo leva uma crença
A esperança na solução
Dissolvida na sentença

E o recurso vem então
Um dia após o outro
Vem contestação, vai desavença
Na réplica do Douto
Invoca-se insight, para que se convença
E na triste espera querelante
Tudo se arrasta, tudo se desgasta
Nada será como antes
A justiça do homem logo passa
É como dizia Miguel de Cervantes
Através de Dom Quixote
ao Sancho Pança
“Quanto mais eu,
que nu nasci,
me encontro nu:
nem perco e nem ganho.”

Decimar da Silveira Biagini
04 de junho de 2017

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Semanas vorazes

Semanas vorazes

A semana está tão curta
Que estamos divididos
Uns pensam na sexta
Outros nas dívidas

Quinto dia útil está aí
Conjugado com anseios
As contas que contraí
Trazem números bem feios

Ações prioritárias
Saúde, funcionários ou pinga
Questões primárias
Atitude, salários ou costela minga

Que tal dormir para não gastar
Pois até furar festa exige preparo
Condução, traje e se atualizar
Atualmente até postar na nuvem sai caro

Olimpíada na TV?
Quem sabe com a luz já cortada
Consiga frestiando as janelas de vizinhos
Crise pra quê?
Se a sorte está lançada
Na vida dos que se viram
por outros caminhos

Agora antes de cortar os pulsos
Peça para seu vizinho não assistir Faustao
E quem sabe ressurjam impulsos
Que existe vida logo após o domingao

Decimar Biagini

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Viver como monge, não tá longe

Como viver com pouco?
Eis uma pergunta difícil!
Parece te deixar louco?

Os políticos compram edifício
Enquanto você paga aluguel
A conta entao fica difícil
Quando o mercado vai ao céu

Um publicitário paga fiança
Coisa pouca, 45 milhões
E a justica aceita na confiança
Sem verificar origens e intenções

Mas você tem que aprender
a viver com humildade
Esqueça o que já gastou
Afinal, a democracia mandou
Estudar e fazer faculdade!

Decimar Biagini

domingo, 31 de julho de 2016

Certa idade

Depois dos trinta e quatro
Me refiro a idade
Não é muito de fato
Mas já não se é dono da verdade
Diante de um filho amado
Que te repreende já com quatro

Depois dos trinta e quatro
Passa aquela utopia de mudar o mundo
Pois o populismo se torna chato
Quando se tem tanta desilusão de fundo

Depois dos trinta e quatro
Pisasse um pouco no freio
Tendo saúde já se sente grato
E mesmo gordo já não se acha feio

Depois dos trinta e quatro
Surge uma crença interior
Torna-se um pouco sensato
E se esquece do jovem ator

Depois dos trinta e quatro
Enterra-se algumas perspectivas
Isso até se torna chato
Mas de que valem falsas expectativas?

Depois dos trinta e quatro
Ainda não se pensa em reviver o passado
Recém se comemora o presente
Como um vinho após a colheita, degustado

Decimar Biagini
31 de julho de 2016

domingo, 10 de julho de 2016

Trajetória insalubre

Trajetória insalubre

Nenhum adversário
Mais brutal que a vida
Implacável cenário
após a alma concebida

Começa com uma corrida
Depois nos prende em conforto
No parto, calmaria é rompida
Rasgando os pulmões bem forte

Uma viagem nostálgica
Buscando retorno ao útero
E como num passe de mágica
Passa tudo rápido e fútil

A aventura só é percebida
Quando se conta de trás pra frente
Pois é triste a despedida
Do vencido ser vivente

Decimar Biagini

Estamos prontos?

Corremos para um caminho
A grande via sem pista de retorno
Pequenas aves tiradas do ninho
Como codornas azeitadas ao forno

Seguimos preconceitos sem resposta
Intuitivamente apelidamos o destino
Com coisas que nos convem acreditar
Sentimos rejeitos de quem não nos gosta
E passamos então a nos amargurar

Perdemos as penas procurando liberdade
Num pequeno intervalo antes do crime
Cujo carrasco não quis sequer se apresentar
E ao perceber erros clássicos já é tarde
Hora de nos tirarem do forno e servir o jantar

Decimar Biagini

Qual tema nos poemas mais te atrai?