DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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sábado, 26 de outubro de 2019

O Sumiço

COISAS ESTRANHAS NA CASA

No começo eram duas
Pensei em dar nome
Em usar só em festas
Então uma some

Parece um espírito zombeteiro
Talvez guinomos ou duendes
Ou aquele grinch estrangeiro
Quebrei cuca, fiquei doente

Cheguei a desconfiar de parente
Mas quem usaria algo desemparceirado
Desapareceu uma, simplesmente

Desmontei a máquina de lavar
Rezei ao negrinho do pastoreio
Um caso sem solucionar
Acho que abduziram minha meia

DECIMAR BIAGINI, 26/10 (Sim, duas meia é dez)

domingo, 20 de outubro de 2019

Vida - A poesia relâmpago

A cada dia você comenta
Que tudo passa depressa
E o coração não aguenta
Quando adiada a promessa

O abraço deixado para depois
A palavra amável que não foi dita
A vida é leve quando em dois
E abençoada com prole bonita

Não diga dessa água não beberei
O que joga para cima cai um dia
Se essa poesia, em você despertei
É por que sua leitura me traz alegria

Decimar Biagini, dia do poeta
20 de outubro de 2019

sexta-feira, 13 de julho de 2018

IDAS E VINDAS DA ESCRITA E O FUTURO INCERTO


A poesia nos reconforta
Nos desperta e nos deixa confiantes
A internet é uma porta
Com algoritmos e leitores distantes
Escrever é o que importa
Nos diferencia da google assistente
Já que ela não pode bater nossa porta
Tampouco criar um poema comovente
Talvez um dia os computadores virem poetas
Talvez os leitores se tornem idiotas
Talvez sejamos apenas um produto dentre metas
Vigiados e controlados nas linhas tortas
Infográficos, rastros do que fora escrito no improviso
Sentimentos de catarse e ostracismo
Talvez até lá, nada mais importe, nem mesmo um aviso
Mas enquanto houver poesia humana
Essa continuará mantendo seu papel libertador
Você pode não escrever por uma semana
Talvez sequer escreva por um ano e volte a ser amador
Mas a poesia não sai do poeta
Aí que ele se engana
A obra é sempre incompleta
E a vida é poesia insana!
Decimar Biagini
14 de julho de 2018

SUPERSTIÇÃO QUE NADA!

SUPERSTIÇÃO QUE NADA!

Escrever por escrever
Viver por viver
Crescer por crescer
Ver para crer
Morrer por morrer

A vida é mesmo um sonho
Quando se ousa acordar
Vira um pesadelo medonho
Que nos faz balançar

O que agora proponho
É voltar para a cama
Note no colo e um vinho
Friozinho e bom pijama

Olhar para a musa e o filho lindo
Sensação de conquista e jubilo
O poema parece estar sorrindo
Com aquele orgulho meio ingênuo

Tão bobo de tão feliz
Uma calmaria que dá medo
Como um poema que diz
Não comemore, ainda é cedo!

Decimar Biagini - Tchau Sexta-feira 13
14/07/2018

terça-feira, 28 de junho de 2016

Escrever por verve

Escrever por verve

É acampar de noite no mato
Buscar lenha sem lanterna
E não saber ao exato
quem te arranha pela perna
Se uma onça ou um gato

A curva da frase pela rima
Em cada estrofe desconhecida
É como a luz que se aproxima
Causando surpresa ao escriba

Decimar Biagini

Virtualidade escrava

Virtualidade escrava

Escreva algo
No que está pensando
Torne a vida de seu amigo mais feliz

Não sou mago
Nem sempre estou criando
Também não posso escrever o que não se diz

O Facebook exige muito
Não te deixa absorto
É aquele mala aflito
te tirando da zona de conforto

Mas tudo bem
Aqui estou eu
Por falta de opção
Há  malas que vem de trem
Outras de avião

Escrevo nas nuvens
Quando não convém
Pois é dura a solidão

Decimar Biagini

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lã tingida

Lã Tingida

Um balde de tinta
Uma nação manchada
Por mais que o senado minta
Não ganha dos deputados

Um balde de tinta
Uma alma lavada
Por mais que o eleitor sinta
a crise está lançada

Desemprego em 12%
Comércio vazio
Professor sem aumento
Pátria que te pariu!

Paguei adiantado
E o pintor sumiu
Votei num deputado
E o ladrão fugiu

Confiei no senado
E todos tem conta no exterior
De que vale um diploma
Se tá cheio de doutor

Fica então a dica,
surge uma centelha
Vê se arruma a mala e sai
Foge para a turma do Mujica
E vai tosar ovelha
Logo ali no Uruguay

Decimar Biagini

sábado, 14 de maio de 2016

Acrostico

C uidados
A tomar
M undos
I mersos
N oções
H umanas
O cultas

P rocura-se
A lmas
R icas
A lia-se
L ibertos na missão
E ntusiasma-se
Lançados
A uma decisão

domingo, 8 de maio de 2016

Amor Materno

A infância se enraíza
M antenedora do essencial
O rnamenta e suaviza
R iqueza sem igual

M ansa e segura
A lma abnegada
T ernura sem fim
E ntusiasmante e pura
R aio de sol na chegada
N aturalmente dura
O suficiente, por toda vida

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dias Assim

Olho para cima
Contrariando a crise
Busco uma rima
Um verso em aclive

Fecho os ouvidos
Busco alguma luz
Ignoro os envolvidos
Não lhes dou cruz

Pago impostos
Somo as contas
Priorizo opostos
Rego as plantas

Rio um pouco mais
Gasto muito menos
Pois tanto faz
Em tempos nada amenos
Menos é mais

Decimar Biagini
18 de abril, ano do macaco de fogo

terça-feira, 12 de abril de 2016

CONJUNTURA COMPARADA

Poema conjuntural político-econômico

Quando foram feitas enquetes
A grande maioria
se dizia classe média
Após a corrupção nas manchetes

Todos somos órfãos do governo
Sem senso, sem classificação
O povo anda enfermo
Tão tenso, com tanta decepção

Muitos estavam alegres
Com emprego, carro e presenteando
Tinham remédio para febres
Acordavam cedo e saiam gastando

Hoje, como avestruzes
Escondem sua frustração
Já gastaram seguro desemprego
E com limite estourado
Anseiam por renegociação

Encostam-se em algum aposentado
E torcem por uma nova geração
Outros atravessam para outro lado
E tentam a sorte em outra nação

A assistência era ampla e irrestrita
Hoje as filas viram esquinas
Sem paciência a população aflita
Procura alternativas medicinas

Os ricos compravam uma blusa casual
E a cada estação mudavam o roupeiro
Os pobres também assim o faziam
E ambos compravam no mesmo local

Veio a privatização
E passaram a evitar filhos
O nível de mortes aumentou
Veio muita imigração
E tambem mortes e sacrifícios
Muito consumo de álcool e depressão
Milhões de aposentadorias precoces e beneficios

Rússia do Boris, antes e depois da inflação!
Agora analisa e compara com nossa conjuntural situação!

Relaxa que tem solução
Hoje a Rússia retomou
E voltou a ter boa projeção

Decimar Biagini

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dois Mundos

A ponte nova
O arco íris
A exitosa prova
A arca de osiris

Desafios e mitos
Fábulas e motes
Contos empíricos
Insights e dotes

Como é entusiasmada
A saga de um escriba
Como é encantada
A poesia em sua vida

Porém, na segunda
A rotina lhe chama
E tudo se redunda
Em trabalho e cama

Decimar Biagini

terça-feira, 5 de abril de 2016

Virando a Ampulheta

Você transita pela rua
Mira no objetivo
E não vê ninguém

Mais tarde, retorna na sua
Pelo mesmo caminho, altivo
E vê quem lhe convém

Tudo tão antagônico
E a rotina lhe consome
No dever cumprido lacônico
E morre sem deixar um nome

Decimar Biagini

sábado, 21 de novembro de 2015

Ginerdia (sugerido por Wasil na comuna palavra inventada)

Ginerdia Gerado por ócio produtivo Sem rumo na sabatinagem O poeta parecia pensativo Mas faltava verve na bagagem Buscou a mesma num filme Mas esse não era instrutivo Viu então uma foto da Dilma E pensou num corrupto intuitivo Como poderia ter tanta sorte Fazer transição e livrar seu couro Lançar filme antes de sua morte Surge então um grande estouro Num momento político tão propício A palavra nova era cudouro Decimar Biagini

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

TROVA LIVRE EXILADA

TROVA LIVRE EXILADA

só uma metade já serve
e eu cubro com uma cereja
hoje tudo pode
menos melacueca de pagode
ou ranço de guampa sertaneja. (WS)

Com pouca humildade,
mas pura substância
E castelhana sonoridade
exilou-se na estância
o verso do poeta cruzaltense (DB)


oh, poeta, não se enerve
é só chamar no ferve-ferve
e a parceria já verseja
a poesia dá o bote
alcança macia a sorte
da companhia benfazeja (WS)

imperioso talhe do nosso nariz
Quis caricaturar nossa parceria
Até livro contigo já fiz
Como quem rouba melancia
Posso dizer que já fui feliz (DB)

eu já tenho certeza
que quando penso forte
o tico fala ao norte
o teco responde ao sul
que a essa hora da noite
o céu já não é mais azul (WS)

Pobres poetas de sorte
cobertos de impassível amizade
A guaiaca já foi forte
em imbatível sincronismo de vaidades (DB)

melhor é deixar a correnteza
levar assim sem recorte
versos de alguma beleza
vindos do sul ou norte
espalhar delicadezas
por onde quer que toquem (Ws)


Obscuros como pedrinhas
No fundo das àguas pesqueiras
Jogando com as marolinhas
Sem prever crises altaneiras (DB)

antes que as fontes sequem
liberamos as correntezas
comprei uma cachaça forte
deixei um copinho sofre a mesa
caso a gente se entorte
declamaremos de língua presa (WS)

Sentiremos os carvalhos
das águas batizadas
Sem as teclas de atalhos
que já andam consagradas
nos trucos de fakes e falsários (DB)

Wasil Sacharuk e Decimar Biagini

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

IDÍLIO NOPENSE

IDÍLIO NOPENSE

O poeta, como todo andarilho
Certamente perderia-se nesse mundo
Caso não levasse o leitor consigo
Certamente seu solo seria infecundo
Se não fosse o afago do crítico amigo

Daí a importância da NOP
A mútua contemplação e valorização
Na simplicidade de um mote
Ou no ludismo de um acróstico em ação

Essa nova ordem que enlaça
Mantém amigos no virtualismo literário
Unindo predadores e sua caça
Na fome poética de um idealismo libertário

Liberdade essa cheia de graça
Na leveza de quem perpetua um registro
Na NOP a poesia nunca é escaça
Na certeza de quem escreve sem egoísmo

Decimar Biagini

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O que esperar do Natal?



Não creio que ficar sentado no sofá olhando o amigo secreto de pessoas famosas faça com que nosso natal seja brilhante, ao menos que o amigo secreto seja substituído por amigo invejoso.

No entanto, há um brilho peculiar nesse ano, tenho a sorte de celebrar a primeira passagem natalina do Rei Arthur, ele ainda não entende muita coisa, mas acredite, os olhos brilham mais que as lâmpadas acesas do pinheirinho quando coloco o carrinho dele em frente a este adereço tão curioso aos focos daquelas duas jaboticabinhas pretas.

Nesse momento estou olhando um programa que ensina a preparar a ceia de Natal, é tudo muito bonito quando não se enfrenta uma fila de supermercado as vésperas do tão sonhado momento em que todos se empanturram e esquecem do nascimento do menino mais famoso do mundo.

Então, espero que todos lembrem do menino, e principalmente, dos meninos e meninas recém-nascidos, e da importância do Natal para a presença marcante das crianças, das mais abastadas as mais carentes, afinal, os Reis magos migraram muito longe para presentear o Cristo Salvador em um estábulo, daí por assim dizer que o Natal é um exercício de humildade e desejo de continuidade, olhar uma criança num momento como esses é ter o gostinho da eternidade renovado a cada ano, com esperanças que podem ser brindadas facilmente com um brut ou um copo d’água, desde que ungido pelo verdadeiro espírito natalino, o amor ao próximo .



Decimar Biagini

domingo, 6 de novembro de 2011

PERCEPÇÕES

PERCEPÇÕES


O carpete está sujo
O carpete estava sujo
Os pés estavam limpos
Mas os tênis tinham vincos

A lareira está suja
A lareira estava suja
Os deuses do Olimpo
Mantinham templos limpos

Decimar Biagini

sábado, 3 de setembro de 2011

TROPILHA DE RIMAS

TROPILHA DE RIMAS

Hoje me sinto
Despido da poesia
Por isso minto
Mais do que eu queria

A rima ainda se encontra
Lá no fundo de minh’alma
E o leitor se pergunta
Onde o poeta perdeu a calma?

Cansei de fazer poema
Mas a atividade lúdica me atrai
Pôr a rima no esquema
Ver como o improviso se sai!

Saudade, sim, dos amigos
Dos poetas parceiros
Dos leitores de meu umbigo
E dos inimigos traiçoeiros

Agora, que me despeço sem glória
Fazendo trilha com patas leves
Com tropilhas de rima na memória
Me sinto no fim dessa lúdica história
Um lobo sem matilha, com poemas em greve

Na Cruz Alta-RS, aos 12 de agosto de 2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

POEIRA CÓSMICA

Ritmos infradianos
Nas células cerebrais
Coração acelera mais
Faço poemas circadianos

O blog vou fomentando
Dançante em estado puro
O resto vou improvisando
Não fico em cima do muro

Todavia, esperar muito
Do poeta e sua verve
De infindável assunto
Ao incauto, nada serve

Decimar Biagini

Qual tema nos poemas mais te atrai?