Como posso estar cansado
E não ter sono sequer
O ano passou galopado
Digam o que disser
Fico eu aqui enjoado
Com sal de fruta na colher
Faltou grana para o espumante
Tomei cidra nacional adoidado
O Réveillon foi num instante
Restou o esôfago arruinado
Refluxo, talvez não
Acho que é reflexão
Amanhã tem domingão
E o mala daquele Faustão
Nada mudou, a não ser a fuga das contas
Vira o mês já estão na espreita
E vocês vão ver, tudo se ajeita
Quem tem esperança, enxuga os prantos
Que doze uvas e sete pulinhos, que nada
Nem mesmo potes de sais pelos cantos
Todo ano é a mesma superstição operada
Continuo pobre, não sobra nem para os santos
Decimar Biagini
A Luz do Recomeço
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A LUZ DO RECOMEÇO, pelo poeta consciencial Decimar
Quando a manhã se oferece
Uma prece ao céu se eleva
E a luz em nós floresce
No silêncio do altar ...
Há uma semana
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