DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ACRÓSTICOS

A vida

R enova
E sperança
S em
P osicionar
O fuscada dança
S ofremos
T eclamos
A mamos

C onhecemos
E nfrentamos
R imamos
T itulamos
A poesia que balança




F adonha_Q uimera
Ontem___ U ma
I déia____Em espera
________M agoando-me
V azio na
O primida_Dor
C alejada_I mitação
Ê nfase___S ortilegiada
_________S em
_________E moção




C omo querendo dizer
A deus
N uma saudade sem partir
T ramando versos só meus
A linhando rimas ao porvir
D ogmas também seus
A dentrando sem sair

D omino o infinito
E nsino soluçando mágoas
S onho com o bonito
A trelado às ressalvas
F indas tristonhas cantigas
I merso em preso grito
N a solidão das minhas brigas
A ndando no verso solito
D eus, por que tu me castigas?
A o léu, no poema que aqui recito



K arl Marx
A lemão
M aluco
I nglaterra capitalista
K arl Marx
A rruinou a era industrialista
z ombando
E m filosofia comunista


Decimar Biagini




DECIMAR BIAGINI

ESPERANÇAS HORIZONTAIS

Quando a luz da manha se espelhar
rompendo cerrações do céu nevoento
Permita com meu poema te abraçar
enquanto as folhas balbuciarem ao vento

Quando a saudade vier dedilhar as cordas do violão
Trazendo o lamento e lembranças de outro lugar
Lembra os raios dourados da esperança
A te envolverem com a melodia que resgato do coração

Quando o sol morrer na imensidão do poente
E cortarem o crepúsculo dourado da tardinha
E a àgua natural correr pela força da nascente
Lá estará retratada a poesia na canção minha

Quando por fim, a lua derramar sua luz sobre o mar
E na imaculada noite embalar a sina dos enamorados
Imagina que minha miragem nos teus olhos navegará
Rasgando o infinito uni-verso com o poema que hoje faço

Decimar Biagini e Larissa Fadel

AO MEU PAI ( PROFESSOR E BIBLIOTECÁRIO DECIO BIAGINI)

Querido pai, escutai agora
O quanto te considero
Sabendo que homem não chora
E o que eu hoje quero
É gritar por aí afora
Feito um quero quero
Voando sem ir embora

Eu falquejo o minuano
Em volta do antigo ninho
Pois te considero paisano
Desde quando menininho

Eu te observo velhinho
Prescrutando as eras
Sondando teu caminho
Sem querer ver-te tapera

Da querencia não quero nostalgia
Pois para mim serás eterno
Lúgubre a pachorrenta sinfonia
Sem que haja existencial inverno

Se hoje tenho alma de poeta
Agradeço pelo incentivo
Graças a tua biblioteca completa
Que administrava no meu colégio antigo

Estradeando uma vida nada simplória
Ensinou-me que o simples é celeste
enquanto lecionavas aulas de história
tropilha de rimas vinham em minha memória
na ronda secular do pampa ao agreste
onde trovadores e repentistas tinham glória
pelo improviso de um verso que se preste


Decimar Biagini

O ÚLTIMO CHARRUA



No alto de uma coxilha
Viu-se um índio repontando horizonte
Um lobo sem sua matilha
O último cocar de sua brava gente

Filho de Tupan, esquecido pelo tempo
Preso a miséria da civilização escassa
O cusco ovelheiro, seu único alento
Índio cor de cobre, esteio de sua raça
Em uma bombacha e encarnado lenço
Pés descalços e pobre, domava que dava graça

Modesto Charrua, a coronilha da raça
Que sina a sua, a última alma que passa

Parecia com pingo sem tropilha
Viveu de saudade sem canga errante
Mas não se reculutou na pandilha
Viu o encanto nativo cada vez mais distante

O rebenque da sorte guasqueou o intento
Entendeu que na lida há o dia da caça
E cantou solito aporreando o relento
A milonga tristonha de esperança escassa
Se o desejo do homem é cambicho sedento
A bonança de um é do outro a ameaça

Modesto Charrua, o fim é o livramento
Que sina a sua, espírito xucro do vento.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

domingo, 30 de janeiro de 2011

OLHAR SALGADO

Com os olhos rasos de àgua
Num silencio enorme na casa
A dor dos escolhos não se apaga
A mágoa não dorme, pois é brasa

Queima o peito em angústia
A canga de bois da saudade
Foi retirada pela vida augusta
A sanga do choro dá vazão à verdade

E quando chega a verdade
Tudo fica de outra forma
A vida passa com a idade
Dias o tempo entorna

O sol virá amanhã cedo
Acordará a passarada
Talvez desapareça algum medo
Alguma angústia fique calada

Decimar Biagini e Juleni Andrade

MINHA ESTAMPA

Me apresento como Gaúcho
Nasci à brisa dos minuanos
Parido sem muito luxo
Já tomei mulher de castelhanos
E fiz muito serviço sujo

Meus sonhos são araganos
De visões estranhas
Cujas guerras de antigos paisanos
Marcaram minhas entranhas

Sombra de gentes alijadas
De lutas ingentes cansadas
Que não conheceram o "errado"
Sequer sabiam o que era "permitido"

Um território sem leis
Difícil de "reconhecer" um dono
Disputado por dois reis
Fadando o povo ao abandono

Hoje eu pampeio com uma bandeira
Cujo Estado é pátria de verdade
Nos ívios confins hoje sem trincheira
Grito em aceno para a liberdade


Decimar Biagini

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

JÁ FOI O TEMPO

Não posso chorar
Nem diante
Da crise a vivenciar
Existencial em pranto

A lógica dos amigos finitos
Do mestre silencioso
Chamado galáctico infinito
Irracional e proveitoso

O pão da vida em fome física
Cuja alma é pensamento e emoção
Em uma esperança sinérgica
No ambiente da humana devoção

O amor não consegue ser cultivado
O destino do arado é inevitável
A solidão de quem foi amado
Em uma técnica ultrapassável

Decimar Biagini

COMUNIDADE QUE INDICO

http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpn&cmm=48554465

O fundador não é nada mais nada menos que o colega do pai do maior violinista nativista do Rio Grande do Sul.

ACADEMIA VIRTUAL DE BLOGUEIROS

Muitos declaram o time esportivo para o qual torcem, a ideologia política à qual aderem, a corrente psicoterapêutica ou educacional que seguem, pois gostam de exaltá-la. Eu gosto de exaltar a origem humana da escrita, pois é o que eu mais aprecio. Os blogs são as novas Musas de Homero. O problema é que de artigo de luxo está virando lixo, que bom que a academia secretamente manterá a nata essencial desta unidade mítica virtual.


Parabéns à AVB.


http://www.orkut.com.br/Main#CommPending?cmm=109408320 (mais informações)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

NULIDADE

Um barulho vem lá de fora
Parece ser infindável e irritante
Seu patrão não demora
E o msn parece mais interessante

A vida não lhe deu alternativas
Você engana todo mundo
Criou condutas preguiçosas repulsivas
E taxam-no de vagabundo

Se ligam, você diz que não
Não anota recados nem cobra
Você não tem solução
Teclar parece ser sua única obra

Largue tudo, peça demissão
Não se arrependa dessa manobra
Mentir para você mesmo, não é a solução

Decimar Biagini

sábado, 22 de janeiro de 2011

ENTRE O POEMA E A SAUDADE

Você preenche a atmosfera de ideal,
Misturando o homem médio em grandeza
Me faz acreditar ser mesmo imortal
Toda vez que me aproximo de sua beleza

Miraculosa eu diria empolgado
Como a primavera eterna
Meu verso lhe é rasgado
Pois o amor não se encerra

Tesouro escondido em minha alma
Cofre das índias, cálice sagrado
Quando a encontro, tudo se acalma
Transformando-me um poeta extasiado

Porém, hoje, pernoitarei sozinho
Com o poema de companhia
Amanhã talvez tenha a alegria
De recitar ele no seu ouvidinho

Decimar Biagini

SONETO LIVRE ÀS ANDANÇAS POÉTICAS

Parti rumo a saudade da doce alegria
Colhi pensamentos e sonora lembrança
Caminhei nos contornos que desenha a magia
Deixei em teus olhos meus giros de dança

Segui nas cascatas a derramar sentimentos
Cobri o meu pranto, sequei o lamento
Corredeiras de beijos regando o querer
Semente em teu solo, nascendo em você...

Na valsa da poesia rechaçada pela amizade
Lembrando o que tinhamos visto na virtualidade
Sem falsa alegria ou improvisada desnecessidade

Terminamos as primeiras parcerias em entusiasmo
Valsamos na pedra mais alta do verdadeiro parnaso
A fim de alcançarmos no soneto, a mais pura verdade

____________________________________________
*Larissa Fadel e Decimar Biagini

NAMORO NA ROÇA

O menino acordou
Foi desjungir os bois
A menina levantou
E já pensava nos dois

Pro celeiro foi a menina
Queria com o menino proseá
Mas o menino de olhar ladino
Com a menina quis namorá

Os velhos atentos
Os viram às escondidas
Lendo seus pensamentos

Nove meses depois
Não viram mais a menina
Só o choro de Carolina!

Decimar e Larissa

OS SENHORES DO PAMPA

O senhor desencilhou o cavalo
Pôs os arreios em cima da cerca
Nada no campo podia magoá-lo
Pois já sofreu todo tipo de perda

Nasceu livre, sem horizontes cortados
Criado xucro, galopeando léguas
Senhor de sesmarias e reinados
De cisplatinas e farroupilhas guerras

Após pampear por seus legados
Deita-se na sombra duma canjerana
Pelegos e arreios ficam encostados
E despoja uma prenda castelhana

Olha na contraluz do oriente
E vê um cisplatino a trotes largos
Parecia querer tomar seus pagos
Fizera sua cruz, de forma indecente

Decimar Biagini

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

TENHO MEDO DE...

Ficar aqui, vendo a vida passar
Sem poder sorrir, sem poder amar

Ser injustiçado sem ver o juiz
Ser condenado à saudade da Morena
Ser rotulado como poeta infeliz
Vendo minha alma fugir com o poema

Quero sair desse escritório
Largar a gravata pelo boeiro
Deixar de advogar em velório
Bancando ser um rapaz ordeiro

Ficar aqui, vendo a vida passar
Sem poder sorrir, sem poder amar

Me espera em casa Musa
Que o leão está chegando na selva
Veste aquela linda blusa
Que o coração está se libertando da treva

Decimar Biagini

Qual tema nos poemas mais te atrai?