DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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domingo, 31 de janeiro de 2010

COM A LUA DE TESTEMUNHA





Estavamos ali, beirando o infinito

Num só sentir, no amor mais bonito



Meu maxilar inclinava-se

Na procura do melhor cheiro

Sua nuca reclinava-se

E eu te segurava por inteiro



O verão nos consumia

A lua era nossa única testemunha

O casal então curtia

Aquilo que o amor os propunha



Era algo não descrito

Não tinha nome nem alcunha

Era um desejo esquisito

De pecar frente à lua



Decimar Biagini

NAQUELES LÚDICOS INSTANTES

Deixei temas pelos cantos, para ver
Se algum poeta uma poesia ali faria

Vieram poemas santos, em linda sabedoria
Meus cabelos brancos, de Ana Maria
Lena em medos tantos, em plena alforria
Michelle e a 1ª casa de encantos,
No passar do tempo que ela não via

Foram momentos plenos de pura alegria
Sentimentos diferenciados, emocionantes
Pela primeira vez só um leitor eu me sentia
Deixava que ambas me levassem pela mão

Naqueles lúdicos instantes...

Decimar Biagini 31/01/2010 (em três minutos de pura emoção)(agradecendo o atendimento aos motes na NOP)

sábado, 30 de janeiro de 2010

O QUE JÁ FIZ COM PALAVRAS

Eu busquei certo fundamento
Na essência da vida do poeta
Nas palavras ditas ao vento
No tempo de pura descoberta

Quis rezar, não encontrei palavras
Falei com Deus, com o Diabo
Puxei penas de anjos e suas harpas
Inclusive puxei o belzebu pelo rabo

Mas nunca compreendi certas essências
Minha sentença sempre veio da lingüística
Nas palavras, nas vozes com eloqüência
Nas faces maceradas de muita mística

Já falei de tantas coisas, em palavras tantas
Fiz parceria com poetas e poetisas
Já compus poesias que mais pareciam mantras
Já descrevi a lua, o sol, a nuvem, a brisa

Já senti coisas escrevendo que antes duvidava
Percebi as vezes que nem era eu quem falava
Mas nas lajes de pedra que o poeta escreveu
Nada foi frio, nada foi perene, foi o amor que teceu

Decimar Biagini
30/01/2010

TODOS TEMOS EXTREMOS

Sim, já conheci os extremos
No amor de meus leitores
Nas parcerias que fizemos
Ouvindo nossas tantas dores

Mas junto a mim que te fala
Entre os nossos quatro braços
É o coração que não cala
Deixando os temas escassos

O amor é uma árvore ampla e rica
Já dizia algum poeta de outra era
De rosas e espinhos se frutifica
Dos lindos jardins da primavera
Da saudade do verão que fica
Do inverno que falta não fizera
Das folhas secas de filosofia rica

Vivemos livres, somos poetas
O verso só aprisiona em catarse
Nossas obras são obras incompletas
E os poemas são filmes em cartaz
O mar vem, e lava a alma com ondas certas
Mas a obra do poema de amor, não se desfaz

Decimar Biagini
30/01/2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ESCOLA PATERNA

A ESCOLA PATERNA................................................................

Nunca entendi aquele maluco ofício

Meu pai era o professor na escola

Falava de história, falar era seu vício

Falava de escravos vindos da Angola

Falava como poucos políticos em comício

Se orgulhava das coisas que aprendeu

Das trajetórias suas, do Estado Sou Eu

Me via nele contando sobre napoleão

E também relatava a sina de Galileu

Quem há de exprimir, libertação e escravatura

Com aula a exibir, com devoção e história pura

Senão meu pai, um maluco professor de história

Ser aluno do meu pai, foi uma medalha, uma vitória

Decimar Biagini

TRIBUNAL DO JURI

O pensamento jamais será capaz
de fazer um julgamento com sanidade
Apontar os erros dos outros é pura fuga
O Juiz humano é pecador contumaz
e o maior insano, é quem acha que julga

O que há, em verdade, é uma hipocrisia
Chamada clamor social nas mãos da democracia
Muitas vezes a mídia acusa e já sentencia
E o inocente acaba por ver o sol quadrado em seu dia

Alguns incautos falam em pena de morte
Sequer sabem o que é a foice nas mãos da tirania
A perda da liberdade já é um grande corte
Quem diz que o emprego no retorno da cadeia é garantia?

Por derradeiro, há uma distinção necessária na justiça forte
Poder-fazer jurídico (comentar e oxigenar a norma)
Poder-fazer político (criar a norma e dar o seu norte)
Poder-fazer operacional (aplicar, manter a matança e sua forma)
Poder-fazer educacional (mostrar que existe algo melhor que a morte)

Decimar Biagini 29/01/2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O POETA DA CIDADE

Mora na cidade

Um maluco das letras

A divulgar sua verdade

Sem precisar de canetas


Sua cidade é Cruz Alta

Do grande Érico Veríssimo

Seu sonho de poeta Internauta

Não é tornar-se ilustríssimo

Mas que os leitores sintam sua falta

Quando for para perto do Digníssimo


Das frases nem tão obsoletas

Da fusão de culturas

Dos redutos de virtual literatura



Ele faz poesias puras

Mostra à Musa estrelas e cometas

Planta árvores e vai às floriculturas

Toma cafés em livrarias

Cultua as boas leituras

Enfrenta existenciais invernias

Fala de coisas sem ternuras

Pinta quadros sem anti-alias

Traz leitores de muitas lonjuras

Unindo diferentes etnias



Sua cidade não tem porto

Mas é poeta do Mar

Às vezes anda envolto

Sem cais para atracar

Mas nunca deixa o poema morto

Pois existe Musa a lhe inspirar


No blog que hoje mantém por diversão

Nas comunidades de poetas co-irmãos

Ou no seu canal no youtube

Com sua declamação


Tornou-se difícil

A missão

Dos que ali

Não retornaram

Levam consigo a lembrança

Da união de versos

Das rimas que ao olhar não cansa

Dos românticos manifestos

Das histórias contadas

Das graças conquistadas

E do poético universo

Em sua alma e arte relatadas


Decimar Biagini

28/01/2010 - Sugestão do Poeta Wasil Sacharuk no Mote "Cidade"

O PRIMEIRO BEIJO E O TAL DO BATOM

Lembro-me como se ali ainda estivesse
Minha concepção individual de curiosidade
Era algo que leva a sério mais que uma prece
Fui convidado para uma festa de verdade

Era a vizinha quem promovia a festividade
Não era uma daquelas festinhas de caráter infantil
Mas uma festa no bom estilo sarau estudantil
Para mim aquilo era um upgrade à puberdade...

Então lá fui, coloquei a minha melhor colônia
Que havia ganhado de natal de uma tia querida
E fui ao aniversário da vizinha, de nome Eliana
Era a primeira festa com música, dança e bebida
E ali vi uma menina alta com batom na boca
Ela me cobiçava como se fosse o último na sua vida

Eu tinha cerca de sete anos, havia muitas meninas
Foi então que a dita menina, bem mais "adulta"
Fez uma artimanha no final da festa, com palavrinhas
Era um jogo em que as pessoas se beijavam sem culpa
Quem puxasse o nome de uma pessoa tinha que beijá-la

Minha vizinha com sua amiga em ardilosa conduta
Segurou o nome da pretendente, para depois sorteá-la
Advinha para quem que ela soltou a palavra abrupta?

Então, movido por uma impossível incompreensão
Passei a indagar-me sobre a razão do batom
Um bom teste precisa passar por fidedignidade
Aproximei então meus lábios, um medo bom
Foi meu primeiro beijo, com alguém de verdade
O resultado da experiência? Minha boca ficou marrom!!!

Decimar Biagini

28/01/2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

UM SONETO E UM AMOR

Todo poeta teria que fazer um teste
Avaliar o desempenho cardiovascular
Quando ama, seu amor é um cipreste
Faz da musa a raiz em versos a rimar

Todo poeta deveria ter uma bela companhia
Afim de um soneto de amor melhor formular
Se dois amantes estiverem no soneto todo dia
Os leitores farão dele uma novela a observar

A plasticidade fiel de um soneto ao único amor
É um vôo cego sem saber onde o verso vai parar
Distribuídos em enredos, na essência de um lícor

Algo que o poeta vai degustando devagar
Nas trilhas do improviso, a arte do amor
Num só soneto, e só um amor a lhe inspirar

Decimar Biagini27/01/2010

Aniver do primeiro beijo...

Passei aqui para dizer que mesmo não tendo nada a dizer é impossível esconder o sentimento de amor e admiração que tenho pela Musa...Parabéns a nós... Um ano...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

UM ANO DESDE O PRIMEIRO BEIJO

Uma bela pérola, um olhar para a terra nova
Muita luz, muita atração era o amor quem vinha
Algo incessante que tomava conta que devorava
Um beijo, um novo pedido, aquele frio na espinha

Foi quando o ardor de olhares ali então se trocava
Como uma Deusa foragida de seus sentidos
Ou então prevendo o amor você então me notava
E eu, bobo, percorri então caminhos desconhecidos

Contagiados por uma sede insana, o amor se entregava
Lembro hoje como quem abre um álbum de família
Inebriados numa noite bacana, o primeiro beijo se dava
Você embalou meus sonhos com uma bela crítica

Pela primeira vez na vida o meu beijo você criticava
Então, um após outro, no degrau da luz sagrada do amor
Um passo por vez, sem medida, o beijo então melhorava
Nada me faria mais feliz, que melhorar nosso beijo e seu sabor

A luz do luar caiu, veio o sol, foi-se o verão e nós dois juntos
Os astros sorriram para nós, foi-se outra estação, lá estávamos
O inverno se estendeu, foi-se então o frio, não faltaram assuntos
Do primitivo amor e da beleza antiga, fez-se a canção, e nos amávamos

Varremos as dificuldades, firmamos nosso terreno em solo confiável
Unimos nossas verdades, amamos o companheirismo sereno, sonho realizável
Então se passou um ano, desde o primeiro beijo, renunciamos ao inalcançável
Nada seguiu um plano, pois louco é o nosso desejo, pois amar é magia inquebrantável...

Decimar Biagini
27/01/2010

SONETO LIVRE À ILUSÃO POÉTICA


....................................................................

Não estou fazendo uma apologia à ilusão

Pelo contrário, estou materializando sonhos

Não estou fazendo uma melodia ao coração

Pelo contrário, estou ouvindo novas canções

.

Materializar sonhos, ouvir músicas, pisando no chão

É o que pretende esse poeta sem maiores pretensões

Eu quero que meus leitores invistam em seus corações

Procuro abrir-lhes o horizonte sensorial com a emoção

.

Quero vê-los crescer diante de seus medos e limitações

Mostrar-lhes que há algo lírico na fragilidade humana

Ver os sofrimentos sob uma perspectiva de superação

.

Relatar a vida sobre a ótica de um dia, uma semana

Mostrar outonos, invernos, primaveras e verões existenciais

Abrir-lhes a porta da poesia e não fechá-la jamais

Decimar Biagini26/01/2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O DIA A DIA DOS POETAS

O dia já nasceu e o sol vai alto,
alguém ainda sonha adormecido,
mas um barulho traz-lhe sobressalto,
pra muita gente o dia é corrido. (Camélia)

Esquisita saudade de matear contigo
Um dia de descanso, inquieto e incauto
Me bate a vontade de poder ter dormido
E no teu corpo santo pecar de assalto (Decimar)

Pensamentos e frases imcompletas
vão procurando rimas e quartetos
na mente sonhadora dos poetas...(Camélia)

E não são mais que seres em procura
Sempre perseguidores das palavras certas
Traspondo seus dizeres pelo bem da literatura (Decimar Biagini)

Camélia La Blanca e Decimar Biagini
25/01/2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

TOMBOS NA VIDA

Um rude brilho, foi alargando a face
Tropeçou a criança nas pedras
Levantou então, com joelho em desgaste
Entoava seu choro em mil glebas

Estendeu-lhe então a mão segura
Era um olhar rútilo de muitas eras
Disse levanta-te e anda, logo cura

As tardes então permaneceram na lembrança
Dos tropeços da vida e da materna segurança
No galope impetuoso do tempo cruel
Foi-se a mãezinha e provou-se o fel

Nunca mais seus passos foram frouxos
A partir dali tudo que tinha era uma frase
E embora entre feridas, e alguns roxos
Nem toda lembrança escrita seria catarse

Decimar Biagini
24/01/2010

POR TRÁS DO ESCRIBA

Vejo além, muito além do rumor da leitura
Uma inquietude larga que o verso propaga
É a alma do escriba que escreve na lonjura
Que o DNA não apaga, incutido na rima amarga
.
Algo de estranho corre por trás daquela escrita
Ora ele ilumina os vales, as estradas e as casas
Ora ele fulmina com chalés, paisagens e lindas matas
Incendiando a alma do leitor, culmina em brasas
.
Mas pensando bem não é nada muito estranho
Somos poetas e quantas almas nós temos
Deixá-las falar em profusão é o que devemos
.
Não nos prendamos em conceitos tacanhos
Soltemos a língua das tantas letras que gritam
Aliviemos em versos a exaustão da alma aflita
.
Decimar Biagini e Lena Ferreira2401/2010

Qual tema nos poemas mais te atrai?