DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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sábado, 7 de dezembro de 2024

A roda da vida

A Roda da Vida

Expulsos do paraíso  
nosso olhar ficou impreciso  
Separados da natureza  
nosso peito é só tristeza  

Entre homens desconfiança  
pois a alma perdeu a dança  
Conquistamos mas perdemos  
em tormentas nos perdemos  

A Terra é corpo a sentir  
águas são almas a fluir  
O ar nos guia a pensar  
fogo é luz a inspirar  

Se os elementos dançarem  
harmonia irão girarem  
E a Roda da Vida então  
será cura ao coração  

Decimar da Silveira Biagini
07 de dezembro de 2024

Guerreiro de Palavra

Balcão de um sonho  
entre luz e véus  
um brincante ousava  
ser voz entre céus  

Vendia mistérios  
sussurros de dor  
pergaminhos santos  
sábios em amor  

Para olhos cegos  
seu conto bordava  
mentes insanas  
a paz despertava  

Das mãos essênias  
pergaminho ao ar  
tecia fábulas  
que faziam andar

Acordou profeta
Fez grandes discípulos
Traído por metas
E falsos ídolos

Com letra viva  
dava ao surdo som  
louco silêncio  
era santo tom

Biblioteca  
seu ofício brilhou  
onde verbo é luz  
todo ser encontrou

Num certo dia atípico
Tal como Enoc
Excluido bíblico
Virou apócrifo

Não bastasse isso
Quem então diria
Fogo e rebuliço
Queimou Alexandria

Decimar da Silveira Biagini

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Não-Eu

Não-Eu Capacitador
Por que o “eu” não é real

se desfaz em cada ato

Do que fui, nem sobra traço

sou a peça de outro ideal

 

Encontro a sombra do ser

um amigo, mas quem é

No espelho, a alma se desfaz

impermanente, em outro “eu”

 

Pensar-se é só construir

um amontoado fugaz

se o “não-eu” tenta surgir

deixe-o ir, não volte atrás

 

O que sou Não sei saber

e no não-ser, sou capaz

Decimar da Silveira Biagini

300 ovelhas e uma Heroína

300 Ovelhas e uma Heroína

Minha cadela border Colie
Se chamava Xuxa
Antes da ovelha Dolly
No tempo da tia picucha

Minha cadela Xuxa
Dava conta do rebanho
Uma valente gaúcha
Borrego teimoso era ganho
Até dentro de lagoa suja

Vi um vídeo na internet
Não tinha como não lembrar
Xuxa rebanhava sem ginete
Dava conta em todo campear

Eu como bom piá sem porrete
Apenas abria a porteira
Xuxa, a colie mais competente
Jamais tive amiga mais campeira 

Decimar da Silveira Biagini
06 de dezembro de 2024

Quem Sou Eu

Quem Sou Eu - Cordel de Mistérios
Ao silenciar busco o ser  
Sou crepúsculo a descer  
Onde o vento vai soprar  
Árvores dançam sem saber  
Por que vibram ao passar  

Se me calo nada serei  
Mas no nada hei de brotar  
Como o sol que vem à aurora  
Faz o céu se iluminar  
Beijando a terra dormente  
Semente nova a germinar  

Algo vibra algo emerge  
Sem preceitos ou razão  
Mora em mim mora lá fora  
No seio de um coração  
Mãe que nunca se revelou  
Mas que pulsa em criação  

Há mistérios tantos belos  
Na sorte que é só morrer  
Que nos prende e nos ensina  
Que ao aprender vamos ser  
Mas o que sou se sabendo  
Sou apenas pra morrer  

Como encontro se buscando  
Nunca a busca vai cessar  
O vento sopra e não sabe  
Se veio ou se vai voltar  
Árvores dançam em segredo  
Mas o vento as faz rodar  

O chaveiro está na porta  
Mas a porta está ausente  
O sentido é só sentido  
No valor do que há na gente  
Importa ao homem ou à mulher  
É o mistério transcendente  

Pois sou vento e sou a árvore  
O silêncio e o sussurrar  
Sou o mar que se desvirgina  
No horizonte a clarear  
Sou o nada sou a vida  
Eterna busca de amar

Decimar da Silveira Biagini

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Caminho da superação


Quando a dor for te abraçar  
Pensa bem que estou a crer  
Escreve e vai observar  
Se é verdade ou pode ser  

Questiona com atenção  
Será mesmo que é assim  
Tira a nuvem da razão  
Vê o céu surgir em fim  

Troca o medo por coragem  
Faz do erro o teu querer  
Cada passo é uma viagem  
Que te ensina a viver  

Respira conta até três  
Pensa antes de agir então  
O silêncio de uma vez  
Traz a paz pro coração  

Decimar da Silveira Biagini
3 de dezembro de 2024
Poema metafísico
Para alguém especial!

Iluminação

Iluminação na paz alheia

Quem sou eu, se não mudança
feito em brumas, sem balança?  
Cada “eu” se vai, fugaz
deixo máscaras pra trás

No reflexo, um vão cenário 
“não-eu” serve ao imaginário
Identidade é miragem
vento molda a paisagem

Quando amor alguém sentir
sou o amor a se expandir

Decimar da Silveira Biagini
3 de dezembro de 2024

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