DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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quarta-feira, 13 de março de 2024

Que possamos nos ver

Fitamos nosso olhar
No espelho ou na água
E tentamos encarar
O que o coração não apaga

A boca diz o que nele há
Se está cheia de luz
A centelha não apagará
Agradeça ao Rabi Jesus

Decimar da Silveira Biagini

segunda-feira, 11 de março de 2024

Avatares da simplicidade

Conheço espíritos puros
Sem ciência ou inventos
Brilham em dias escuros
Não estão em templos

O Divino Escultor os fez
Para que nos ajudem
Não se oprimem na escassez
E na política não se iludem

São anjos protetores
Fazem benzedura e bendizem
Filhos são professores

Fazem o bem sem olhar a quem
Inocentes nos fazem protetores
São exemplo de alegria e bem

Decimar da Silveira Biagini

sábado, 9 de março de 2024

Dor ou Felicidade?

Dor/Felicidade

Benoni, significa folgo da dor
Mas Benjamin, filho da graça
A opção é sua, seja como for
Amor ou sofrimento, abraça

Quantas vezes no auge
Só vemos miudezas? 
E no meio aos aplausos
Escondemos tristezas

Jacó perdeu Raquel
Mas ganhou filho
Deu graças ao céu
E floriu seu estribilho

Paulo diz “em tudo dai graças”
Não pelas bênçãos e dias felizes
Mas reconhecer os laços 
e providência de Deus aos aprendizes

Decimar da Silveira Biagini

Finita highway semântica



Ao longo das estradas,
loureiros, viburnos e amieiros
Samambaias xaximadas
e hortênsias em desfiladeiros

Lugares de grata poesia
Recuerdos de almas pesqueiras
Onde amigos faziam companhia
Com chasques e visitas costumeiras

O mundo da poesia
Se cultiva de tudo na vasta imaginação
Mas sem leitor nada seria
Se desmotiva em luto o vazio da poética visão

De balconista de palavras
O escriba se reduz a mendigo de feedback
Malabares de semáforos
De nada vale sua criação ou o vasto leque

Decimar da Silveira Biagini

sexta-feira, 8 de março de 2024

Feijão-fava

Não seja um feijão de fava*

Vejamos sina de Ana
Uma mulher estéril
Penina, mulher de Elcana
A tirava do sério

Toda vez que iam ao templo
Penina a humilhava 
Décadas idas no tempo
Mas Ana sempre orava

Tendo atitude positiva
Deus ali a fortalecia e escutava
E se atendeu expectativa
Quando ninguém mais acreditava

Deus não age numa fava amarga
Ele precisa da sua fé e doçura
A luz da sua centelha jamais apaga
No terreno da fé não há secura

Acreditar ou não na cura
É questão humana irrelevante
Deus tudo ouve e vê na criatura
Pedir a Ele é fértil e triunfante

Decimar da Silveira Biagini

*A toxicidade do feijão-fava é caracterizada pelo sabor amargo. Para eliminá-lo e utilizar as sementes na alimentação humana é preciso submetê-las à cocção por três a cinco vezes, com total substituição da água utilizada, ou deixar os grãos de molho durante uma noite e eliminar a água antes do cozimento.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Padre Antônio Vieira e seu legado na poesia e na espiritualidade

Antonio Vieira foi um dos grandes discípulos de Jesus, o Cristo. Ele veio a encarnar, talvez para ser um segundo Cristo
Sua retórica e poética era racional, com culto ao contraste: oposição de ideias.
Polêmico, Vieira foi jesuíta, contrário aos excessos da Inquisição e fez muito sucesso como pregador. Suas habilidades linguísticas impecáveis, sobretudo em retórica e oratória, tornaram-no o pregador oficial da corte portuguesa por um período.
António Vieira, mais conhecido como Padre António Vieira foi um filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Uma das mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras, em especial no Maranhão.
Foi realmente o maior sábio português que se tem conhecimento a viver como um estoico tal qual Jesus, tamanha a grandeza de tal Espírito.
Gosto de um poema citado por Divaldo, que tem estilo parecido com Vieira:

Goethe, “Anelo”: “Só aos sábios o reveles,/Pois o vulgo zomba logo:/Quero louvar o vivente/Que aspira à morte no fogo (....)//’Morre e transmuda-te’: enquanto/Não cumpres esse destino,/És sobre a terra sombria/Qual sombrio peregrino.//Como vem da cana o sumo/Que os paladares adoça,/Flua assim da minha pena,/Flua o amor o quanto possa!”

Em outras palavras, a intertextualidade é a relação explícita ou implícita entre os textos de quaisquer natureza. Imaginário e intertextualidade funcionam, pois, como conceitos demolidores de preconceitos em qualquer casa ainda não sinodal.

No estudo semântico de Padre Antônio Vieira, mestre em retórica e paradoxo, o leitor tem diante de si uma demonstração da elasticidade e da articulação possíveis entre os conceitos de imaginário e intertextualidade.

Graças aos grandes poetas do Barroco, tivemos traduções incríveis das escrituras sintetizadas em canções e poemas, o quão difícil é verter um poema de uma língua a outra, o que demonstra que Jeová, Deus bíblico, não estava de brincadeira quando misturou as línguas na torre de Babel, conforme ensinou José Saramago em seu último romance, Caim, no episódio da confusão das línguas.
Adaptação e análise - Decimar da Silveira Biagini, poeta metafísico

sábado, 2 de março de 2024

Novamente a sorrir

Novamente a sorrir

Um dia você sonhou
Fez desenho e rabiscou
Sorriu com o que Deus falou*
Porém o papel guardou
Esquecido amarelou
E feliz agora achou

Decimar da Silveira Biagini

*Tão simples, como a rima
Simplifique, Deus ensina

Temperança e Fé



Começo de ano,
objetivos traçados
Metas e planos
E já cansados

Vamos em frente
Porém, atropelados
Mas, se não atentos
Por sobrecarga e prazos

Deixe tudo com Deus
Faça o que alcança
Se plantou é seu
A colheita é a esperança

Decimar da Silveira Biagini

Revolução industrial e digital, conceito eacrsvo=usuário?

Crianças, roupagem escrava de usuários 

Na revolução industrial
Tivemos tanta desesperança
Rumo ao materialismo infernal
Escravizavamos crianças

Na hoje repaginada revolução digital 
Exploração do olhar que não cansa
Engrenagens da Superindústria
Extrativismo dos dados das nossas esperanças
 
Imaginário para a fabricação do valor 
do gozo
Nova produção em série a todo vapor
No seu senso comum, as democracias em repouso
Consideram o meio
de comunicação mero distribuidor

Não é conteúdo, é novo meio de produção 
Eles usurpam gratuitamente dos artistas
Sofremos de um déficit de paradigma sem solução
As autoridades reguladoras não assimilaram sua vista

Produção de valor gratuito
O trabalho do olhar que fotografa, edita, filma, publica, segue e curte
Isso é tudo tão esquisito
Que revolucionários seres sensíveis, filósofos, pensadores e artistas, silenciam enquanto só algoritmo discute
O poeta grita, o cantor silencia, o pastor abandona as ovelhas
E nossas crianças? Quem pagará por isso? 

Decimar da Silveira Biagini

sexta-feira, 1 de março de 2024

Haja moderação!

Haja moderação! 

O estado da poesia
Açoitado pelo tempo
Nada bom sairia
Não fosse leitor atento

O concílio dos druidas
Feito em noturno intento
Trouxe velhas feridas
De poder e encantamento

Compete aos argonautas
Da transição planetária
Filtrar tretas de internautas
No manejo da nave lendária

Decimar da Silveira Biagini

Dos Leitores & Das Leituras

Dos Leitores & Das Leituras

Virtudes não dão ibope
Poesia não enche barriga
Por mais que eu foque
Tudo parece gerar briga

Quando assumo não ser top
Na própria mediocridade
No leitor crio certo choque
Vejo paz e conectividade

Toda virtude é um ápice
Dois vícios, dois abismos
No cume da coragem
Paraquedas de narcisismos

Covardia e temeridade
Complacência e egoísmo
Doçura gera toxidade
Para quem lê em ceticismo 

Quem pode escrever poesia
e ficar sempre no ápice? 
Medir a distância sem ironia
Afastar do leitor seu cálice

Insuficiente e lexical miséria
Poeta, eletrocardiograma 
Poesia é vivência séria
Não há leitor sem a chama

Decimar da Silveira Biagini

Heterônimos

Louco para escrever com heterônimos

Em Cruz Alta, onde o verso é Rei
O Poetinha, de alma inquieta
Luta contra essa sina secreta
De escrever, mas querer se desfazer

Tenta, em vão, o poema renegar
Mas o verso teima em ressurgir
Como um rio que não para de fluir
Nas linhas que insiste em criar

Ah, a tentação de se libertar
De romper com essa prisão verbal
Fitar poesia na rede e a sua publicar
É fogo, que adentra um milharal

E se um dia, pipocas estourar
Heterônimos: Poetinha, Silveira, etc...
Tal Pessoa, com seu Caeiro e Bernardo
Assim, em falsa abstinência certa
Surgiriam Campos e Ricardo

Decimar da Silveira Biagini
POETINHA_CRUZALTENSE

Seja apenas um poeta

Seja apenas um poeta
A rede nos provoca
Em reflexão incrível
Tudo que a IA toca
Parece invencível

A nova biblioteca babel
Nos tirou da oca
Abandonamos papel
Viralizar é o foco

No colossal emaranhado
São infinitas vazias obras
Se vende em demasiado
Mas se escreve sobras

Tudo parece requentado
A IA a poluir com manobras
Perdidos, ficamos de lado
Entre algoritmos e cobras

Libertino grão de areia
O poeta hoje inventa roda
Onde tudo se assemelha
Criatividade é nova moda

Decimar da Silveira Biagini

VersoxUniverso


Verso X Universo = Insultado X Insulado

Tem dias 
que minha toca 
é planeta distante
tem dias 
que ela é vulcão adormecido
tem dias 
que penso 
sair num instante
tem dias 
que o poema 
se publica 
arrependido

Decimar
da Silveira 
Biagini 

No Reino do Limerick

No Reino do Limerick 

Ser poeta é dureza
Todo leitor manda em mim
Se escrevo só beleza
Falam que é tóxica e fim
Pergunto, "a razão Alteza" ?
Respondem, "porque sim" ! 

Decimar da Silveira Biagini

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