DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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sábado, 25 de junho de 2022

Quando os peguei em meus braços


Dizem que recém-nascidos
não enxergam
Talvez seja, não nego
Dizem que o amor é cego
Mas memórias me negam

Vi quando me olharam
Quando o céu se abriu
Quando estrelas brilharam
E o que um pai descobriu

Tão pequenos, tão frágeis
Épocas diferentes
Mas os mesmos olhares
Me tocaram para sempre

Tenho os dois filhos
Mais poéticos e perfeitos
Faróis de milhas
Extraordinariamente humanos

Corajosos e solitários
Como Deus em seu conhecimento
Amores interplanetários
Lembranças do firmamento

Decimar Biagini

Pousada na Capela do Cadeado - 1995

1995

Éder Benevenutto Amaral
Amigo de tantos anos
O vô dele um quera bagual
Na capela abrigava paisanos

Acordavamos com geada
Já tinha lenha no fogo
Café era com gemada
E carteado era o jogo

Truco e retruco
Vale quatro e tal
Nego véio se gabava
De amadrinhar sem boçãl

Seu minuto desconfiava da treta
Que tá fazendo nego véio?
Colocando .... na .....


Decimar Biagini

O Bairro onde nasci



Há uma viagem que amo
Onde poesia parece reinar
Não importa se a estrada tem lama
É o retorno ao meu lar 

Quando chego no querência
CTG de meu ancestral avô
Lembro da doce infância
Dançava tatu e vaneira
Desfilava no lombo de um zaino
Em tordilho e égua marchadeira

Na churrascaria tinha amigo
Na esquina do terreno baldio
Todo piá ficava escondido
Para pedir bala no Dariu

Jogava bola com poço e tudo
Quando caia era aventura
Para resgatar tinha que ter brio
Olhar para baixo até ficar mudo

Para todos que vêm e vão;
Lembram dos pneus empilhados
Para fogueira de São João

Os amores-perfeitos na janela
Esperando os casamentos e pular brasa
Boa parada era a mais bela
Dali até o campo do tio Maza

Nada restou como antes
A vila perdeu para o progresso
Ficou a avenida Xavantes
E um barulho perverso

As luas do céu do outono
Só na foto da memória
Os baldios hoje têm dono
E a infância virou história

Decimar Biagini
25 de junho de 2022

sexta-feira, 17 de junho de 2022

O sorriso de Valentina


Em minhas mãos sinto a verdade
Carrego em meus braços
Parte do futuro da humanidade
Tão fortes estes laços

Já fala algumas balbuciadas
Quando olha para mim
E fala "pai", fico sem palavras
Num orgulho sem fim

Tão grande a responsabilidade
Os versos andam escaços
Por conta da nova paternidade
Mas sempre acho espaço
Para registrar minha felicidade

Decimar Biagini

O Divino foi meticuloso

O Divino foi meticuloso

As gotículas lá fora
Me ensinam o fulcral
Que tudo sem demora
Retorna sem ter final

Não me concentrar
Em coisas grandes
Pois tentar dominar
O que já se fizera antes

É das tolices mais desnecessárias
Chover no molhado
Em tarefas extraordinárias
Para um homem tão contrastado

Impérios se desfizeram
Heróis foram esquecidos
Poetas enlouqueceram
Mas o Verbo segue vivo

Decimar Biagini

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Aniversário de Portugal



Muitos motivos a comemorar
a História de Portugal, 
Num singelo versejar
Respeito a terra Natal

Antepassados além mar
Desbravadores e idealizadores

Dom Pedro II
O mais sábio da realeza
Deixou legado profundo
Mas os outros, com certeza
 
Deixaram desgosto e tristeza
Fingindo seguir Deus
Teceram inquisição com frieza

E nessa dura conjuntura
a expulsão de judeus e séculos de escravatura.

Mas é para frente que se anda
Todo resgate vira aprendizado
Que impere a paz veneranda
Entre os povos colonizados

A pátria de Portugal é seu povo
Não importa se hoje espalhados

Decimar Biagini
10 de junho, dia de Portugal, 18:37



Decimar Biagini

Aniversário do Primo Eduardo

Aniversário do Primo Eduardo*

Quando criança
De muita entrega
Já se via esperança
De fugir a regra

Numa sorte que se lança
Em todo arteiro maleva
Diziam, esse não cansa
Com energia de reserva

No primeiro aninho
Já avisava as meninas
Que esperassem crescer um pouquinho
No convite de boas vindas

Jogava no meio dos adultos
Pedia a bola e até chorava
Esbravejava, até com insultos
Mas a vida o lapidava

Tornou-se adulto
Quando jovem dançava
Um pé de valsa astuto
Contava piada e jogava

E nesse gira mundo
Famílias Porto e Biagini
Chegou a se taxar de ....
Mas então imagine

Lutou e estudou
Na faculdade de medicina
A família ele orgulhou
Pois nesse giro o mundo ensina

Hoje é pura empatia
Calmo e confiante
Alivia a alma doentia
De qualquer ledo paciente

Decimar Biagini
10 de junho de 2022

Um Primo com P maiúsculo, desses que não abandona os familiares só por que estudou ou vivenciou coisas mil. Me ajudou muito no durante e pós internação covid.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Precauções

Tive covid duas vezes 
Vivemos uma variação
sazonal das viroses
Com redução nos pulmões
Fico fraco nesses meses
Por isso tomo precauções

De maio até julho,
dura temporada,
época mais fria. 
Atendo, com orgulho,
por hora marcada.

Oro para passar de agosto
Pois é mês do cachorro louco
Para evitar medo e desgosto
Noticiário sangrento assisto pouco

Vitamina c na sulina invernia
Efervescente ou bergamota 
Como pinhão com afinco
Pois esse leva o tal do zinco

Ao coração de poeta
Um bom cálice de vinho 
Para obra ficar completa
Lã e blazer de linho

Máscara em lugares fechados
Padaria e mercadinho
Não sei de onde veio
Ameaça em todo lado
Para não saírem prejudicados
Crônicos e não vacinados
Sigo confuso, em desalinho
Então medito, escrevo e leio
Pois empatia ainda é o caminho
E de descaso o mundo tá cheio

Decimar Biagini
13:13, 9 de junho de 2022

Simplificar-se sem derrota


Ficar disponível à vida
e os seus chamamados
Ter doçura como guarida
Reafirmar-se em predicados 

Sem perder-se no sujeito
Fiel à luz divina expandida
A tentar amar o imperfeito
Na crística caridade obtida

Sem malvadez neoliberal
Esvaziar-se do antigo eu
Com humana ética universal
Não ter raiva do que é meu

Pois a gratidão é o caminho
Sem fatalismo imobilizante
Nem o derrotista desalinho
Mas equilíbrio simplificante

Desbravar os sentimentos
Aproximar-se da essência
Sem tantos aborrecimentos
A duvidar da mera aparencia

Decimar Biagini
2022, 9 de junho, 06:09

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Penso, logo desisto!

O Francês não era bobo!

Nesses dias frios em que aprendi termos como reduflação e andar novamente mascarado (“larvatus prodeo"). Lembrei da conduta de Descartes ao se alistar no exército holandês para fugir dos olhos da inquisição francesa e continuar com seus métodos racionais e teorias filosóficas de duvidar de tudo para continuar pensando e existindo. Aqui na terra de Erico Verissimo prego que se destaca não só toma martelada como já se utiliza na Cruz Alta. Galileu também foi safo em negar sua teoria antes de concluir que a terra girava em torno do sol. O quero dizer com essa ladainha depois de despertar com frio na velha ribalta de Cruz Alta não sabendo se estava na sala tendo insights ou na cama se me valeria a pena abrir mão do voto secreto e tentar convencer alguém de que ainda existe uma saída para esse país?  É muito perigoso ter razão antes da hora. Nossa história
recente está marcada pela perseguição a pessoas que foram executadas em nome de suas idéias e
ideais. Muitos pagaram com a vida através dos tempos. Sabemos dos assassinatos de Sócrates,
Jesus de Nazaré, Giordano Bruno, Robespierre, Frei Caneca, Gandhi, Martin Luther King, Wladimir Herzog. Milhares de outros, anônimos, morreram e morrem cotidianamente em nome de
seus sonhos, de suas esperanças. Então, desisto de abrir meu voto!

Decimar Biagini

terça-feira, 31 de maio de 2022

Espirito Santo

O dia do Espírito Santo

Cinquenta dias após a Páscoa santa
Flechas de fogo foram vistas do alto
O dia do Espírito Santo
Marca um simbolismo no arauto

O fogo do amor foi aos apóstolos representado
A renovar a face da Terra
Deus, instruiu nossos corações magoados
Mostrando que com a morte nada se encerra
E assim consolou os até então inconsolados

Tudo retorna afinal
O Espírito Divino
No termo genuíno: "AKALL"!

Decimar Biagini
31 de maio de 2022

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Adeus ao Milton

Adeus ao Milton 

Milton Gonçalves se expandiu na dramaturgia  em incrível viés
De forma ilimitada
Sua infindade de bons papéis
Foi pelo talento libertada

O talento é lapidado
Para aqueles que estão dispostos

Ficou seu legado
Independente da forma de governo escolhida
A cultura está além do Estado
E deve ser sempre reconhecida

Decimar Biagini 
30 de maio de 2022

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Sobre a Fé

Pinceladas sobre a Fé

Vamos explorar a natureza da fé 
aos que se esmeram
Essa difere da esperança 
que traz certa incerteza
Fé é a certeza de mudanças
que poucos esperam
A convicção de fatos 
que não veem em cima da mesa 

Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho
Caíram ao seu lado inimigos
Eles ficaram e seguiram
firme sem terríveis castigos

A fé é a âncora da alma
Tão firme e inabalável
Que nos traz boa calma
Calma ruim é quebrantável!
Patetice faz mal à alma

Então orai e vigiai
Peçais e receberdes
Mas confiai no Pai
Insistireis e então tereis

Decimar Biagini
26 de maio de 2022

terça-feira, 24 de maio de 2022

BONSAI NA VIDA

SER OU NÃO SER UM BONSAI

Nossa alma é como um bonsai
Delicada e de beleza inigualável
Sem calma e disciplina nada sai
O corpo é pequeno vaso limitavel

Cortamos os galhos improbos
Aquela medida que incomoda
Jogamos ovelhas aos lobos
E trocamos de pele pela moda

Nossa raiz foca debilitada
Com tanta superficialidade
A essência já danificada
Precisa de mais umidade

Aquele copo de água há mais
Enfrentar a preguiça
Não mendigar por amor jamais
Aí o galho desenguiça
E tudo volta a ter paz

Crescer é soltar amarras
Acelerar a força interior
Ter luz própria como guarida
Deixar tudo as claras
Ser no filme da sua vida
O principal ator

Parei de achar desculpas
A cidade me envenena
Acusar no outro minhas condutas
A academia é pequena
O trabalho é uma dura luta
O trânsito não vale a pena

Só por hoje, aqui dentro
E não lá fora
Terei um mote
Farei do meu dia o mais importante
Então, sem demora
Serei bonsai forte, como um diamante


Decimar Biagini
24 de maio de 2022
17H14 MIN, FIM DO EXPEDIENTE

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Análise pós covid



Ano passado eu lutava pela vida
Com internação e oxigênio no máximo
Deixei passar até dar uma boa vivida
Para só depois comemorar com o próximo

Não se elogia um burro
Até que ele passe pela ponte
Então meu poema hoje empurro
Sem montar no que foi o ontem
 
Fizemos hercúleo esforço
Para entender nossa existência
Um espetáculo dispendioso
Que exige orientação e resistência

Tão breve e cheia de limitações
Buscamos acomodada sapiência
Lidamos com boas intenções
E também com maledicência

Numa inventividade humana
Damos o nosso jeito aos pães
Um leão por dia ou semana
E lá se vão os dias de cães

Começamos com pedras, tacapes
Flechas e grandes migrações
Depois passamos aos mapas
E viajamos com pífias navegações

Aprimorados nos metais
Veio a agricultura e as invenções
Deixamos de caçar animais
E nos dedicamos às criações

Passamos a ter ideais
A ter sonhos e projeções
A durar um pouco mais
A cuidar das emoções

Fizemos mapas
Grandes navegações
Ciências exatas
Territórios e nações

Depois de muitas encarnações
Ou caso prefira dnas aprimorados
Surgiram tantas indagações
Nos ligando aos antepassados

Trocamos lápis e caneta
Por infomaré de linhas bilaterais
Acumulamos dados gigantescos
Mas parece que nada se ajeita
Moralmente tão cavernescos

Então surgem milhões
De likes, profetas e gurus
Muitos com soluções
Em Budha, Maomé e Jesus

Surge um vírus letal
O medo nos paralisa, alguém diz
Um longo lockdowm
O fim dos tempos por um tris

Seguimos num novo normal
E a normalidade neurológica?
Ficou lá no dna ancestral?
Na interpretação astrológica?
Ou na fé descomunal?

Nos perdemos em nós
Sem tempo para cura
Um mundo a sós
Numa lunática procura

Então olhamos para o lado
Vemos velhos e crianças
Todos têm nos desafiado
A ajudarmos e termos esperança
E como temos abraçado
Depois de tropeçar na desconfiança
 
Mas e a evolução?
A chave para a luz suprema?
A dita iluminação?
O capital e trabalho em dilema?

Deixa isso para lá, já passou
Vai cobrar do piá o tema
Bora ver se a bebê se destapou
Depois vai com a musa enrolar as pernas

Decimar Biagini 
16 de maio de 2022

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