DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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domingo, 3 de novembro de 2019

O tempo do colegial onde nem tudo era grenal

O querido colegial onde nem tudo era Grenal

A  imensa  tristeza  de não mais escutar
Amigos  ausentes da escola
Hoje com a incerteza no sofa de meu lar
Sem  a  esperança  de  jogar bola
De ficar no recreio de pernas pro ar

Fico contente com certas memórias
Da turma, do futebol, basquete e do vôlei
Que pulava muro nas horas de glória
Fica a enquete que com o tempo criei

Alguém ainda tem aquele entusiasmo
Aquela esperança de fazer a diferença?
O senhor do tempo parece ter sarcasmo
Nos jogos de hoje, não há mais quem vença

Decimar Biagini, 3 de novembro de 2019

sábado, 26 de outubro de 2019

O Sumiço

COISAS ESTRANHAS NA CASA

No começo eram duas
Pensei em dar nome
Em usar só em festas
Então uma some

Parece um espírito zombeteiro
Talvez guinomos ou duendes
Ou aquele grinch estrangeiro
Quebrei cuca, fiquei doente

Cheguei a desconfiar de parente
Mas quem usaria algo desemparceirado
Desapareceu uma, simplesmente

Desmontei a máquina de lavar
Rezei ao negrinho do pastoreio
Um caso sem solucionar
Acho que abduziram minha meia

DECIMAR BIAGINI, 26/10 (Sim, duas meia é dez)

domingo, 20 de outubro de 2019

Vida - A poesia relâmpago

A cada dia você comenta
Que tudo passa depressa
E o coração não aguenta
Quando adiada a promessa

O abraço deixado para depois
A palavra amável que não foi dita
A vida é leve quando em dois
E abençoada com prole bonita

Não diga dessa água não beberei
O que joga para cima cai um dia
Se essa poesia, em você despertei
É por que sua leitura me traz alegria

Decimar Biagini, dia do poeta
20 de outubro de 2019

sábado, 12 de outubro de 2019

Entre datas e legados

Entre datas e legados

As portas do passado
Tem de se manter fechadas
E o futuro então reservado
Não trará encruzilhadas

O que sabe sobre a situação
É melhor não dizer nada
Duas orelhas são a razão
E a boca não serve para nada

Quem fala se complica
O peixe morre pela boca
E quem escreve não aplica
Pois a hipocrisia é uma touca

Quando se corre num tiroteio
Deve se defender a família
O tombo pode ser feio
Mas lobo manco não segue matilha

É tanta dica para o sucesso
mas a vida não segue cartilha
Escrevo isso enquanto peço
Que o saber não vire ilha

Ontem foi dia da criança
Logo já será natal
Comemorar não me cansa
Pois esquecer parece fatal

Decimar Biagini
13 de outubro

sábado, 14 de setembro de 2019

Os Robôs roubaram nossos sonhos

Os Robôs roubaram nossos sonhos

Já parou para pensar
No quanto isso assusta
O ciborg veio para ficar
E quanto você custa?

Já é algo irreversível
Isso gera tanta angústia
O inimigo é invencível
Seja no campo ou na indústria

Pergunte ao seu filho
O que vai ser quando crescer
E é capaz de ele dizer:
- Pai, vou ser um robô!

Nossos robôs serão médicos
Serão advogados e dentistas
Impressoras farão prédios
E quem serão nossos analistas?

Estamos num ócio que aperta
Enterrados na frustração
Perdidos num futuro incerto

Nascemos na época dourada
Crescemos em acelerada descoberta
E vamos morrer sem deixar nada
Se não descobrirmos uma nova meta

Decimar Biagini

domingo, 1 de setembro de 2019

Do contexto poético

Do contexto poético

A sugestão parecia plácida
Era aceita socialmente
Não parecia tão ácida

A lei determinava
Ganharia uma recompensa
A confraria reinava

A poesia fazia um favor
Aliviava certa necessidade
Acreditava como em louvor

Tínhamos poetas parceiros
Concursos e feedback instantâneo
E os momentos foram faceiros

Mas como quase toda bela canção
Não havia comida na mesa
Então voltei a rugir como leão

Decimar Biagini

Sugiro: sugestão, engano e deletério

Lili Pug

As lições de um pet moderno
(Despertar, Magia e Sabedoria)

Ousa despertar os estranhos vizinhos
Após seguir seu aguçado ouvido
Outrora eram apenas grunidinhos
A despertar um enterrado sentido

Tentava cavar seu tesouro no cimento
Após seguir sem sabedoria a magia do DNA
Outrora não te daria tal ósseo presente
Eras tão frágil, poderia te engasgar

Já não és mais uma pug indefesa
Que temias minhas olhadas territoriais
Agora te aproximas de quem está na mesa
E suplica por migalhas de seus iguais

Sim, somos cada vez menos humanos
Complicados ao cão com certeza
A vida canina é simples com os anos
Nós deveríamos copiar sua leveza

Decimar Biagini

Sugiro: vida, terra e saudade

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

São Geromel

Oração ao São Geromel!

Ó Geromel que nunca cessais
de fazer cumprir tua tarefa defensiva
Que não duvidem do Grêmio jamais
E que aos jovens sirvas de incentivo

Para que não desejem mais a Europa
E encontrem a aposentadoria no Imortal
Para que o sul não venda sua tropa
Que seus guerreiros não queiram o vil metal

Que ao herdar tua braçadeira de capitão
Tenham colegas com alma castelhana
No banco, espírito egípcio de elevação
Que usem teu manto durante a semana

Que proteja os goleiros assustados
E não prevaleça o time mercenário
E que silencie os mais agressivos relvados

Que o sonho da América seja soberano
Venha a curvar os colonizadores europeus
E tua estátua e canonização venha de plano
E os seus fiéis chamem teus feitos de seus!

Decimar Biagini


domingo, 18 de agosto de 2019

Releitura do Soneto

Releitura do soneto

Querido e preterido soneto
Sei que andei ausente
Amando uma escrita diferente
Em versos como os de Mileto

Acontece que fui flechado
Enquanto deixava a porta aberta
Não que eu tenha procurado
Mas o amor atinge até o poeta

Agora, vim visitar tua instigante dimensão
Nesses quatorze versos de encantos
Querendo apenas o teu perdão

É que escutei ao longe teus prantos
Voltei para dizer que parti sem solidão
Graças ao que aprendi com teus mantras

Decimar Biagini, 18 de agosto de 2019

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Depende!

Depende de você!

A verdade
traz confiança
A mentira
Decepção

Se sei disso
Desde criança
Por que a ira
na desilusão?

Derrota ou aprendizado?
Depende da temperança
Se vive ou espera o reinado
Cedo você vira a herança

A vida é curva
O ensino é duro
A água é turva
Mas o gole é puro!

Decimar Biagini

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Cambona

A Cambona da vida

Chega com respeito
Carente por uma centelha
Meio que sem jeito
Como uma operária abelha

Sabe o valor com humildade
Aquece da base até seu peito
Matear na hora do aperto
Com um gaucho de verdade

Como o chimarrão e a brasa
Não escolhe um fim de tarde
É  amiga em toda casa

Num galpão, ouve um causo
Num palácio serve a solidão
No chão, faz feliz o descalço
E na estribaria, esquenta o peão

A vida é brasa ligeira
E a Cambona não espera só
A alma alimenta a fogueira
O mate segura o tempo
Com a lembrança do firmamento
Enquanto o homem não vira pó!

Decimar Biagini

domingo, 28 de julho de 2019

COMO QUERO-QUERO

Como Quero-Quero

Até mesmo o quero quero
É viajante desprevenido
Coloca ovo no pé da Serra
E nunca precisou de ninho

Essa vida bem cigana
De levantar acampamento
Cuja alma logo emana
Um velho pensamento

Olhai as aves
Quanto poder na simplicidade
Pois bem sabem
Que estão aqui só de passagem

Quero-quero é mochileiro
Mas é ligado e bom cuidador
Leva o bom companheiro
E defende o ovo com amor

No que eclode muda de rumo
Outras bandas, outra cor
Deixa na grama seu insumo
E parte sem sentir dor

Decimar Biagini - mirante de Nova Petrópolis-RS, 28 de julho de 2019

sábado, 27 de julho de 2019

ESCOLHA SEU FIM NO ENREDO ABAIXO




Na fila de espera para decisão do destino dos desencarnados, através de uma séria avaliação do que havia feito cada ser em seu currículo pela passagem na terra, um sábio Cacique que vinha de uma tribo já extinta em meados dos anos 80 respondeu ao Geógrafo que no processo encarnatório anterior esteve frente a frente com o integrante daquele eminente genocídio que levantava topografia e relevo para instalação de uma mineradora próximo a uma foz (naquela situação o índio perguntava se o Deus dele aprovava largar mercúrio num rio próximo a aldeia. O Geógrafo, falou que no caso ele não tinha um Deus, que quem iria fazer o levantamento de viabilidade era uma sonda e que um robô iria fazer o rejeito e separação dos detritos):
- Se você não acredita em Deus, não se preocupe, quem tem de se preocupar são as futuras gerações! Cada pessoa tem a crença que merece, o que não podemos é deixar tudo por conta da ciência, da tecnologia, da robótica e deixar de encarar os fatos com humanidade e respeito ao próximo!
O resultado, na opção um (fazer o que a ciência determinava) ele estaria no Umbral hoje, e certamente não teria o reencontro com o velho conhecido. Na opção dois (caiu em si, e tomou uma sólida medida das consequências de seus atos) livrou muita gente do genocídio. Na opção três (pediu demissão e foi substituído por um inconsequente técnico). Na opção 4, assumiu o comando da tribo e lutou pela foz do rio em perigo.
Resumo da ópera, como dizia Chico Xavier - "Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim"!
Decimar Biagini - ensaios de ficção espírita, julho de 2019.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Noite Gramadense



Estamos em recesso
Menos pessoas
E mais progresso
Energias boas

E tudo que te peço
Passar pela rua
Rir quando tropeço
Minha mão na tua
A certeza desde o começo
A benção da lua
E todo amor do universo!

Decimar Biagini

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