DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

Entre em contato com o advogado Decimar Biagini

Nome

E-mail *

Mensagem *

sábado, 3 de setembro de 2011

O RETORNO

O RETORNO


Nesses vinte dias
Em que estive afastado
Das ditas poesias
Eu andava tão ocupado
E o leitor não sabia

Mudei para o outro lado
Da cidade onde nasci
E o verso improvisado
Ficou parado, nem percebi

Hoje, abri a comuna
Sem maiores interesses
Como político na tribuna
Fiz discursos cem vezes
E antes que o leitor suma
Num desses ausentes meses
Fiz do poema minha sina
Comparecendo em chás ingleses

Talvez eu não saiba mais escrever
Tenha perdido a acidez e a insolência
Mas saibam que antes de morrer
Tive amigos, senti saudade, tive paciência
E nessa espera, hoje retorno a ser
Um poeta, com o improviso na essência

Decimar Biagini

CORRUPTO MODERNO


Almejei tocar nas nuvens
Beber água noutros planetas
E numa dessas vertigens
Sugava em públicas tetas.

Era um coronel do sertão
Aposentado das tretas
Tinha motorista e mansão
Ganhava quantias pretas.

Com aposentadoria vitalícia
Ao custo da valentia e da malícia
E passou-se o século vinte.

Já os políticos atuais, com perícia
Sem capangas e mais requinte
Compram sigilo e federais. A nova milícia.

Decimar Biagini

MEIA NOITE

MEIA NOITE


A lua por ser andeja
Sumiu nessa quinta-feira
Por mais que não a veja
Espero que a Musa me queira

Do contrário, nem a cerveja
Nem a ressaca pós bebedeira
Nem o céu que hoje relampeja
Me faria esperar a sexta-feira
Nessa verve que a rima beija

Decimar Biagini

ANIVERSÁRIO DE CRUZ ALTA

Aniversário de Cruz Alta

No alto das coxilhas
Jesuítas ergueram uma cruz
Bandeirantes fizeram trilhas
Mulheres guerreiras deram a luz
E as crias seguiram milhas

Érico Veríssimo, grande escritor
Pinheiro Machado, o senador vigoroso
Salatiel de Barros, coronel lutador
E outros cruzaltenses, honraram seu povo
Prudêncio Rocha, fiel historiador
Heitor Saldanha, poeta auspicioso

Fiz essas rimas em versos insanos
Para dizer que minha terrinha
Completa hoje, cento e noventa anos

Em 18 de agosto de 2011.
Decimar Biagini

SILENCIAR MOTIVADO

SILENCIAR MOTIVADO


O poeta despido de vaidades
É um leitor de sensibilidade calada
Deixei de escrever certas verdades
Só o amor, tem ficado comigo na madrugada

Entre uma manhã com a musa
E um deitar tranquilo e silencioso
A poesia parece andar reclusa
Em um versejar já nem tão vigoroso

Decimar Biagini

TROPILHA DE RIMAS

TROPILHA DE RIMAS

Hoje me sinto
Despido da poesia
Por isso minto
Mais do que eu queria

A rima ainda se encontra
Lá no fundo de minh’alma
E o leitor se pergunta
Onde o poeta perdeu a calma?

Cansei de fazer poema
Mas a atividade lúdica me atrai
Pôr a rima no esquema
Ver como o improviso se sai!

Saudade, sim, dos amigos
Dos poetas parceiros
Dos leitores de meu umbigo
E dos inimigos traiçoeiros

Agora, que me despeço sem glória
Fazendo trilha com patas leves
Com tropilhas de rima na memória
Me sinto no fim dessa lúdica história
Um lobo sem matilha, com poemas em greve

Na Cruz Alta-RS, aos 12 de agosto de 2011.

ENQUANTO ARTHUR NÃO CHEGA


Sagrada manhã
Em que me despeço da amada
Prometendo poesia sã
Depois corro para a cozinha ensolarada

E lá preparo um cappuccino
Fatio o panetone com delicadeza
E lembro do tempo e menino
E a lagrima escorre com nobreza

Faltam pouco mais de dois meses
Para o anjo prometido vir ao mundo
Então serão três cafés por vez
Agradeço a Deus por ser fecundo
E por poder escrever isso a vocês

Decimar Biagini

TRISTEZA DE UNS IDÉIA DE OUTROS


Bom dia menino
Qual seu nome
Me chamo de Jesuíno
Estou com fome

Fiz só uma pergunta afinal.
Como assim Doutor?
Procure a assistência social
Meu setor só verifica dor

Mas Doutor, estou com fome, pelo amor de Jesus
Ótimo, vou prescrever este remédio aqui
E o menino seguiu com a receita do SUS

Chegou num ministério
e pedia dinheiro para comprar remédio
Ninguém o levou a sério
Então o menino viu um careca de porte médio
Seu nome era Valério

O menino perguntou se ele trabalhava ali
Com um sorriso irônico falou que praticamente
O corrompedor de recursos sugeriu que saíssem dali
Disse que não poderia dar dinheiro, mas era influente

Conversou com o Ministro e sugeriu a farmácia popular
O menino morreu antes que o projeto fosse aprovado
E Valério em enriquecer sinistro viu a falácia encorpar
Pegava dez por cento em todas as licitações do seu Estado

Decimar Biagini

CONTANDO OS DIAS


Durante a jornada
Na espera do prometido
Entre desejos na madrugada
E o sonhar com o menino

Convivo com chutes
Na prospecção das mãos
Os pais são ogros rudes
Mas com molenga coração

Arthur está com um quilo
Entra no sexto mês de gestação
Na cozinha hoje me viro
Fazendo janta com inspiração

Já revirei todos os manuais
Li vídeos no tal do youtube
Não há o melhor guia para os pais
Trata-se de instintiva atitude:

- O amor incondicional!

Decimar Biagini

AO AMIGO WASIL

AMIGOS PARA SEMPRE


Irmão, eu andei perdido
Entre náuseas e tonturas
Em um tom despedido
Longe das conjecturas

A vida foi mais espontânea
Que o próprio improviso no verso
Sei que tu cruza a costa litorânea
E que um amigo distante é perverso

Mas continuarei mateando contigo
De uma forma ou de outra
Por vezes leio-te num ensolarado domingo
Com rédea curta ou solta

Se algo digo logo desdigo
A contradição de poeta é latente
Mas uníssono é o ar de amigo
Que corre a bomba na água quente

E nesse sorver da tua poesia
Relembrando épocas de parceria frequente
Surge então a lágrima de alegria
A mesma que te elegeu parente

Irmão das letras
Mamando nas tetas
Da poesia eloquente!

Decimar Biagini

ESMOLA LITERÁRIA

Esta febre, que determinei de gripe poética, foi casebre, de virtualizada dialética. Que se quebre, quem foi rei nessa hermética. Virei plebe, hostilizado em leitura cética. Parcas linhas Com subterfúgio de rimas Divagações minhas Com recurso lúdico de limas. Tanto limei as arestas do meu destino Que de poeta virei mero trovador. Tanto joguei com o frio em meu intestino. Que termino esse poema sem fervor. Talvez alguma interpretação consolativa Ou a confissão de outro poeta vencido pelo desânimo. A verve é mesmo assim, nada explicativa. E o coração absorto se projeta convencido por um anônimo: - O leitor! Decimar Biagini

O ÚLTIMO BANDEIRANTE

No alto de uma coxilha, um bandeirante encontrou um tarumã, deitou-se na busca de repouso, quando adentra no raio da sombra daquele símbolo imponente da vegetação gaúcha, escuta um trastejar similar ao de uma ondulação lateral, rapidamente sente um puxão nas suas pernas, seu corpo estremece e flexiona os joelhos, pensou na possibilidade de uma serpente, no entanto, tratava-se de uma arma muito silenciosa e peculiar naquele local, a boleadeira de um charrua, o forasteiro paulista aproveitando a posição favorável, puxa seu crucifixo e começa a rezar, quando o índio identifica tratar-se de uma cruz jesuíta, desencilha o suplicante, e, de forma implacável lhe arranca a relíquia e mostra uma pintura da Missão onde fora criado, tratava-se da mesma cruz que fora saqueada por bandeirantes em pouco menos de trezentas léguas dali, o bandeirante é então crucificado numa alta cruz de canjerana, a última coisa que viu rastejar foi o fado de sua vida bandoleira e ambiciosa. Decimar Biagini

QUERER POÉTICO

Quero sentir A última rima Num porvir De quem ensina Quero sentir Muito acima Num desmentir De quem aproxima Quero sentir Muito me anima Num despedir De quem se apruma Decimar Biagini

O SENHOR DAS MAÇAS

Quando pequeno Achava ser diferente Ter um plano terreno Aquilo não saia de sua mente Agora, é simplesmente Um pulverizador de veneno Na fazenda de um parente Colhendo maça – o fruto obsceno Mira o pomar prostrado Sozinho à janela Suspira com pesar, frustrado Sequer uma donzela Tampouco fora herói honrado Na cisma sombria frequente Amarga o resto de sua pobre vida Sequer apareceu a serpente Para lhe ofertar a maça prometida Um Adão sem Eva, sem pecado Um pequeno menino assustado Que se escondeu na tirania dos anos Envolto em um casco ressecado Sem sonho, apenas mais um ledo engano! Decimar Biagini

quarta-feira, 11 de maio de 2011

POEIRA CÓSMICA

Ritmos infradianos
Nas células cerebrais
Coração acelera mais
Faço poemas circadianos

O blog vou fomentando
Dançante em estado puro
O resto vou improvisando
Não fico em cima do muro

Todavia, esperar muito
Do poeta e sua verve
De infindável assunto
Ao incauto, nada serve

Decimar Biagini

Qual tema nos poemas mais te atrai?