DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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terça-feira, 10 de junho de 2025

Soneto Livre ao Vazio que Cura

Sou luz que vibra além da forma imposta

Canal aberto à fonte do infinito

Não sou a luta, nem a dor exposta

Mas o silêncio em paz, firme e bendito

 

Como a água, eu me dou — não me contenho

Fluo por entre as frestas do destino

Não busco ser, apenas me desempenho

No dom de ser canal do mais divino

 

Não há oponência em meu poetar

A força está em não resistir ao Todo

Rendo o meu ego ao ato de doar

 

Desperto ao ver que ser não é ter modo:

É com o coração escutar, e respirar

E ser, em cada gesto, a própria pira e o fogo

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Da Aurora Estética Nos Planos Superiores

Da Aurora Estética Nos Planos Superiores, pelo poeta Decimar
Nos montes da Luz onde o éter se acende
há palácios feitos de aroma e sentido
onde o tempo é flor que jamais se desprende
do ramo do Verbo que sopra o Infinito

Lá os perispíritos vestes do Bem
cintilam em cores que a Terra não tem
safira e âmbar quartzo em suspiros
são sombras da luz que os envolve em hinos

Beleza é lei viva é forma e é alento
não nasce do caos mas do próprio intento
o gesto é poema a fala é canção
a ética pulsa em cada intenção

Mestres da Aurora de fronte estelar
caminham nos campos de lírios solares
seus passos sem peso seus olhos sem par
transmitem silêncios de forças vitais

Ali não se estuda ali se contempla
o saber é flama e a arte a oferenda
o mármore é canto a névoa escultura
e o som se dissolve em pura doçura

Um poeta dali de alma serena
diria aqui a forma é plena
a cor tem sentido o aroma é ideia
e a dança das almas é viva epopeia

Não há feiúra pois tudo se eleva
até uma lágrima é luz que se entrega
ética e estética são irmãs do Fogo
que acende os mundos num só desafogo

Ali o mais simples gesto de afeto
é mais que um templo é mais que um decreto
pois tudo que é belo é moral também
e tudo que é justo ressoa no além

Decimar da Silveira Biagini
Poema metafísico em viagem do sonho
09 de junho de 2025, 04h 30min

O Cavaleiro e Sua Armadura Invisível

Num reino de fantasia
com dragão e cavaleiro
vive um homem que, um dia
quis ser sempre o primeiro
Por temer ser rejeitado
se blindou por inteiro

Sua armadura brilhava
mas dentro era solidão
na mesa, ninguém o olhava
faltava comunicação
Protegeu-se do perigo
mas feriu seu coração

A esposa via o vazio
por trás da couraça fria
“Me ama ou ama o desafio?"
Ela enfim lhe dizia
Mas o medo de ser visto
o mantinha na armaria

No amor, muitos se escondem
atrás do que aparentam
reagem com ego e orgulho
e os sentimentos enfrentam
Mas quem foge de si mesmo
as mágoas só alimenta

Teosofia nos revela:
não se ama com prisão
O amor exige coragem
pra mostrar o coração
Blindagem pode ser trauma
defesa... desilusão

A luz mora no silêncio
de castelos interiores
É preciso se despir
das couraças, das dores
Só assim se vê a alma
e se escutam seus clamores

No fim da montanha interna
não se salva uma princesa
Se liberta o próprio Eu
da armadura da incerteza
Só quem ama a si mesmo
ama os outros com leveza

Decimar da Silveira Biagini

domingo, 8 de junho de 2025

Autobiografia de um Filosófo de Galpão

Autobiografia de um Filosófo de Galpão, O Real no Espelho do Campo, pelo poeta Cruz-altense Decimar da Silveira Biagini


Na coxilha onde nasci,

vi primeiro o sol campeiro,

um tordilho, o mundo inteiro,

me levou no colo ali.

Meu avô, feito raiz,

de Silveira e de Brasil,

me ensinou desde o barril

que o silêncio é quem mais diz.



Sou mistura de tropel

de açoriano e charrua,

com a alma velha e nua

de quem fala olhando o céu.

Na bombacha da infância,

dancei a dança da história,

fui herdeiro da memória

de um povo em perseverança.



No 20 de setembro,

meu lenço tinha sentido:

era um sonho colorido

que queimava sem o tempo.

E o CTG era abrigo,

feito rancho da verdade,

onde a trova é liberdade

e o gaiteiro canta antigo.



Pensar é como domar

um potro nos olhos d’alma:

ou se quebra ou se acalma,

mas nunca deixa de amar.



Na estância da existência,

filosofar é tirar leite

do silêncio mais estreite

que há na voz da consciência.

Não fui feito pra fugir

do que o real me apresenta:

cada dúvida é uma venta

que o campo vem traduzir.



O real não tem floreio,

nem bandeira de ilusão,

é chão duro de galpão

e o suor que escorre alheio.

O idealista, coitado,

tropeia na própria sombra,

não vê que a vida assombra

quem não pisa no pesado.



Gilson, santo do arreio,

disse certo, e ainda serve:

"Pensar é coisa que ferve

no fogo de um povo feio —

não de rosto, mas de lida,

de enxada, brida e respeito,

gente que busca no peito

a verdade resolvida."



Não há flor que floresça

sem raiz onde se encoste,

nem razão que se aposte

sem o barro da cabeça.



Chove em mim filosofia,

feito goteira em galpão.

Cada pinga é reflexão

do que fui ou ainda seria.

A ignorância é bicheira

que infesta o lombo do gado,

e o saber, bem trabalhado,

é a cura campeira inteira.



Tropeiro do pensamento,

sigo estrada sem cercado:

quem conhece o ser molhado

respeita até o relento.

No pescoço da alma,

penduro um lenço de reza,

e o tempo, feito certeza,

mata a pressa e acalma.



______/\______

Alguns provérbios e declamações



“Quem não laça a própria dúvida,

  vive solto no galpão da ignorância.”

“Cavalo sem freio é ideia

  que ainda não viu o mundo.”

O mato ensina o que a escola esquece:

  ouvir o que não se diz.”

O saber é como o trigo:

  só cresce onde se ceifa com fé.”

Toda sombra é pergunta.

  Toda luz é resposta em silêncio.



Entre a palha e a verdade,

a fumaça sobe lenta.

O galpão vira uma tenta

de pensar com humildade.

E se a vida é peleia,

então Deus é o capataz

que não grita, mas nos traz

pela rédea da ideia.



Também tive erudição,

pois reencarnação é roda,

tive toga, já fiz moda,

Mas na luz baixa do lampião.

Vivenciei filosofia viva

não se lê, se sente e canta,

feito trova que levanta

a poeira mais altiva.



Venha, irmão de alma torta,

senta aqui, toma um amargo:

que a verdade vem do largo,

e a mentira... pela porta.

Quem puxa cepo comigo

E ombreia com capataz

Leva a pureza consigo

E não morre assim no más 

Haikais

https://youtube.com/shorts/AktWE526lw0?feature=shared



 Haikais da futurologia 

Máquinas vêm vão
no pin cai o coração
que o tempo empurrou

Homem no botão
mas no fundo a direção
sempre foi visão

Robôs sem sofrer
mas o pão continua
em mãos a nascer

IA quer reinar
mas no altar do labor
há mais do que estar

Se o medo se faz
há também paz no que jaz
e volta em cartaz

Se um emprego cai
surge outro que jamais
foi visto e aí vai

No seguro um fio
menos custo mais desafio
mais vinho no rio

Velho ascensor luz
virou mito no elevador
que sobe sem cruz

Tecnologia
nossa eterna analogia
com a poesia

Se o robô pensar
ainda assim pra sonhar
alguém há de estar



sábado, 7 de junho de 2025

Genealogia de fazendas e tropeirismo


Consciência Açoriana, pelo poeta Decimar aos seus ancestrais tropeiros da Silveira 

Vento velho sopra novo
mas é o mesmo céu que cala
e revela outro caminho
galpão vazio canta
chão de barro berço e morte
um clarão repete a voz
não é a fé que envelhece
é o medo que empalha os santos
mas a alma sopra sempre
sobre o açude a garça pousa
igual silêncio nova fome
recomeço sem espanto

palavra é gado que pasta
solta nos campos do peito
ao som do sino do tempo
a estância da dúvida é branda
o pensar relincha livre
no potreiro das ideias
vaqueiro antigo rezava
santo tomás clareia os cerros
e a luz vinha pelo lombo
filósofo campeiro
com chapéu de nuvem clara
busca deus entre as palmeiras

chove em mim um pensamento
tropeiro da eternidade
em estrada de argila e alma
pensar é andar no barro
escorregar no mistério
e rir do próprio tropeço
o mal só sei do sereno
que encharca o lenço da alma
quando esquece de rezar
não há final nem cerca
só picada entre as sarjetas
de um espírito cansado

somos todos de um assombro
dos matos e das estrelas
das pegadas e dos prantos
cada geração é um potro
que pergunta ao velho pasto
se ainda há grama de fé
meu pai dizia baixinho
o mundo é uma casa velha
com deus morando na cumeeira
não tenho resposta pronta
mas meu silêncio é antigo
feito ferrugem de arreio

a lenha estala no tempo
como ideia em brasas fundas
dessas que não se apagam
no galpão a luz não mente
cada sombra é um conceito
escrevendo-se no chão
velhas respostas não morrem
esperam nova garganta
pra cantar outra verdade
pensar é surrar o couro
da própria ignorância funda
até que soe uma reza

cada árvore filosofa
na raiz que não se mostra
na folha que se desprende
pergunta é tronco sem galhos
sabe que o vento o molda
mas resiste feito lenda
a ceifa da juventude
não corta a seiva do tempo
só deixa a dúvida em flor
velho cipreste murmura
quem ama já entendeu
que entender não basta

o saber que acende dentro
não precisa de palavras
basta o cheiro de fumaça
se o mundo pede sentido
respondo com um assobio
entre mate e solidão
as palavras são espelhos
de um fogo que já queimava
antes do nome existir
tornar-se carne é missão
mas é sangue que dá rumo
ao que só pensava em luz


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Soneto da Amizade das Almas



Na aurora das ideias divinais
Duas centelhas brilham, já irmandadas
Almas que, mesmo em tramas separadas
Reconhecem-se em gestos fraternais (Decimar)

Na empatia se encontram dois destinos
O verbo acende luzes de esperança
Nos gestos simples, puros e divinos
Floresce a fé que em almas se balança (Augusto)

Não pesa o mundo onde a alma é levada
Pois entre elas há ponte iluminada
Feita de zelo, escuta e oração
(Decimar)

Gratidão vibra em cada comunhão
E o céu confirma, em brilho e direção
Que a amizade é o sol da evolução (Augusto)

Decimar da Silveira Biagini e Augusto Rodrigues Júnior

Pintura Confucionista

Pintura confucionista
Mestre se aproxima
traz no passo a disciplina
como luz que rima

Leque desenhado
vira vento delicado
sobre o chão dourado

Dama com cetim
guia a paz do querubim
no jardim sem fim

Criança se inclina
ouve o som da campainha
voz de porcelana

Som de sinos paira
entre colunas de areia
sábio nunca erra

Cedro reverente
guarda o tempo eloquente
calmo e transparente

Trono sob o céu
usa o amarelo fiel
como um puro véu

Traço de aquarela
conta a história singela
com tinta que zela

Decimar da Silveira Biagini
06 de junho de 2025

quinta-feira, 5 de junho de 2025

A Nova Cortina

https://youtube.com/shorts/SgV-87Yhu7A?feature=shared
A Nova Cortina

Cai de novo
a cortina
a cortina
a cortina

Voz de ferro
Ecoa
ecoando
em solo que não dorme

Um trovão de ontem
um trovão de agora
um trovão que não acabou

De novo a Rússia
de novo a fronteira
de novo a marcha sem flor

E a Ucrânia canta
sangra
reza
repete o clamor

Homens de bem
onde estais
onde estais
onde estais

Erguei-vos
erguei a voz
erguei a paz
erguei o amor

Churchill soprou
Fulton ouviu
O mundo esqueceu

Mas a bruma volta
a cortina volta
a cortina volta

Só a luz rompe
Só a união costura
Só o amor respira

Canta, pacificador
Canta com aço e alma
Canta até que a guerra se desfaça

Decimar da Silveira Biagini

Coluna Viva

Coluna Viva - o convite 
(Ao irmão de letras e alma curiosa Diego Pereira Franzen, com gratidão)

Do frio da serra
Mestre firma convites
colheita começa

Diego me chama
semeador de sentidos
foco na cultura

Fomos colegas
em tempos de escola e riso
afinados livres

Piadas inéditas
frases de impacto vivo
nossa sintonia

Sempre buscamos
livros que desafiavam
filosofia

Entre arremessos
adorávamos o jogo
em quadra e na vida

Hoje mantemos
o grupo de bons amigos
com fé e respeito

Potencializa
pertencimento e memória
nossa trajetória

O destino quis
que ao voltar do rio eu fosse
iniciado em luz

Reiki nos uniu
e franzen já era mestre
de mãos e de alma

Convites vieram
mas outras frentes recusei
por não ver sentido

Este canal
me toca em sua proposta
com brilho sereno

Sem ufanismo
mas com a literatura
como pão e chão

Por ora escrevo
com alegria e surpresa
aceito amigo

Decimar da Silveira Biagini
Na Cruz Alta-RS, aos 05 de junho de 2025

terça-feira, 3 de junho de 2025

Cântico da Essência Pura

Cântico da Essência Pura

Há muito sei da força que é ser clara
Não fere a luz que habita em transparência
É calma e funda a voz que nunca dispara
Mas move os céus com simples existência

O amor só reina quando é limpo e inteiro
Sem mancha ou sombra a lhe pesar no véu
Pois quanto mais sincero é o primeiro
Mais se aproxima da visão do Céu

Não grita a pureza em seu ingresso
Nem se impõe com músculos do mundo
Ela é poder que nasce sem excesso
E toca o mais abismo mais profundo

Refrão:
Pureza é chama que não queima a pele
É verbo antigo que não soa duro
É voz que canta onde o ruído expele
É mais que força é o dom do ser mais puro

domingo, 1 de junho de 2025

Peregrinos

Em provas singelas e nobres tomemos
Aprimorar do veículo que recebemos
Como nômades em busca do Senhor
A jornada é feita com zelo e amor

Universo vasto, força que guia
Gravidade do Espírito, luz que irradia
Do Filho Eterno, essência sublime
Conduz nossas almas, em ritmo prime

Governar celestes reinos, missão divina
Zeloso e terno, administração que fascina
Ordem e harmonia, em todo o existir
Sob seu comando, a vida a expandir

A cada ser, amor individual
Do Rei Eterno, toque celestial
Em nós reside, esperança e fé
Luz que guia, caminho em pé

Planos divinos, rumo à perfeição
Nos conduzindo, em nossa evolução
Passo a passo, rumo ao ideal
Ao lado do Filho, guia sem igual

Em cada auto-outorga, sacrifício e glória
Existencial inverno, resplandece a história
Em carne e osso, vem nos redimir
Para que possamos, ao alto subir

Em mundos diversos, presença sentida
Pela verdade e amor, vida oferecida
Exemplo supremo de devoção
Para nossa eterna salvação

Fé Original, em graça e poder
Auto-outorgas, veio nos atender
Mostrou-nos o caminho, de volta ao Pai
Em sua jornada, redenção se faz

Filhos do Paraíso, enviados celestes
Portam a luz, em missões incontestes
Na Terra semeiam, sabedoria e paz
Para que o amor divino, em nós, renasça

Supremo Pai, mistério e claridade
Revelado em amor, verdade e bondade
Primeira Grandeza, espelho e luz
O caminho ao Pai, a todos conduz

Em versos sagrados, tocamos a essência
Do Filho Eterno, amor em excelência
Na busca amorosa, aprimoramento e fé
Fitamos seus passos, em rima e pé

O Caminho do principado

O Caminho do Príncipe 
O corpo do príncipe era outra música
feita de pulsações fora do tempo
Quando andava, a terra aprendia
a sinfonia do firmamento

Seus olhos não viam com íris
viam com memórias não vividas
O som que vinha de seus gestos
era o silêncio das feridas

Cada pisada sua na trilha
deixava um acorde enterrado
As pedras cantavam baixinho
o destino jamais narrado

Não buscava coroas ou tronos
mas a partitura do invisível
Sabia que a dor bem amada
é a flauta do impossível

Os ventos dobravam-se ante ele
como folhas num velho livro
E o sol, no seu alto silêncio
parava só pra ouvir o alívio

A roupa era apenas poeira
o cetro um cajado quebrado
Mas o compasso do seu sangue
regia o mundo calado

Quando dançou entre as folhas
as árvores quase falaram
E a morte que o seguia rindo
parou e o som a calaram

Havia um templo em sua carne
com portas sempre abertas
Seus passos ativavam preces
esquecidas em eras incertas

Nenhum nome ele aceitava
pois nome é prisão na linguagem
Era o eco de muitas origens
vestindo uma nova roupagem

Em vez de palavra usava
o ritmo como ensinamento
Cada músculo um sutra
escrito por movimento

E ao final quando sumiu na névoa
não deixou saudade nem pena
Apenas a trilha sonora
que ainda vibra na arena

O corpo do príncipe
se transforma em renúncia
o que era no princípio
agora é luz que silencia

Esplendoroso outono

Esplendoroso outono, pelo poeta Decimar 
As nuvens passam quadros que o tempo apaga
Num sopro vão relicários de memória
O vento escreve e desfaz nossa história
E ao trono eterno só o Céu se embriaga

É quem sabe o que fica 
Sou folha no tempo 
Sou sopro que vibra

Sou folha seca em outonal estrada
Que o Arquiteto sopra em sua glória
Na névoa antiga esconde-se a vitória
De um vale azul que à luz foi ofertada

Partiu a névoa mas ficaram rastros
Fragmentos vivos da visão sentida
No ar que pulsa o canto dos dias castros

Silenciaram aves mas não a vida
Talvez esperem que entre céus e lastros
Eu dite os versos, em sopro e despedida

É quem sabe o que fica 
Sou folha no tempo 
Sou sopro que vibra

Chegada de Buta

Lua em plenitude
o elefante de marfim
penetra em silêncio

No ventre um cristal
gota de elixir sagrado
nutre a promessa

Sem dor o parto luz
a flor de lótus desperta
debaixo dos pés

O céu reverencia
dois mosquiteiros um véu
e o guarda-sol real

O olho divino
vê mil mundos em miríade
todo o ser se sabe

Sete passos firmes
sete lótus desabrocham
eco do futuro

O dedo no céu
sou o último nascido
rugido de Sol

A Terra estremece
brisas de seda elevam
música sem mãos

Chove flor e paz
os cegos veem os mudos
cantam a manhã

Poros se arrepiam
as árvores dão seus frutos
fora da estação

Sete dias brilham
precedente sem fronteiras
luz de cem mil cores

Maya retorna finda
a jornada nasce um Sol
Kapilavastu o espera

Conjunto de haikais metafísicos, despertar das 06h, sonhamos após conversa com o espírito de quem se apresentava como viajour do tempo, provável visita acompanhado pelo Mentor Clemente da Alexandria (II DC), o questionava sobre Gnose como um caminho para a perfeição cristã na escrita poética/musical como semeadura e acerca da sua "Visão de Buta", procuramos pedir para sintetizar os detalhes e circunstâncias da chegada do Iluminado e qual a melhor maneira de ficar face a face com figuras crísticas em tantas moradas do Pai Celeste.


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