DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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sábado, 15 de maio de 2010

PROFECIA COPEIRA

Olá GutembergO povo fará fila em AlbergueNão por comidaPode ser que negueMas é por tv coloridaOnde a copa pegueDepois, no decorrer dela, cortarão gastosBatendo panela, cessarão o bandejãoDizendo que não deveria jogar o Michel BastosE que dunga escalou mal a seleçãoQue deveria escalar o time do SantosE que Ronaldinho merecia convocaçãoNa final irão fraquejar, ficarão em prantosE seu mundinho girar-se-à na mesma direçãoContinuarão mendigando pelos cantosNum semáforo, num viaduto, em decepçãoE a nossa Política corrupta terá eleiçãoE o desabafo, não terá indulto, salve a Seleção!!!!Decimar Biagini

Houve um tempo em que:




Crianças iam ao zoológico


Hoje elas vão ao youtube


Quase tudo muda, é lógico


Meu medo é que eu não mude


Decimar Biagini

domingo, 9 de maio de 2010

POETA CONTEMPORÃNEO

Quem sabe alguém lembre
Do que está esquecido
E o poeta então deprimido
Será lembrado para sempre

Um objetivo a ser atingido
Nos portões da suja tirania
Não quero estar sucumbido
Antes de ganhar alguma valia

Meus poemas escondem
Grande parte da beleza
E as críticas correspondem

Ao curvar-se diante da realeza
Só os leitores é que respondem
Se há imortalidade na minha proeza

Decimar Biagini

sábado, 8 de maio de 2010

CANETA, FIXAÇÃO E PERFUME

Não faz dez segundos
Em que li estes motes
São signos profundos
Embora poucos notem

Por culpa da memória
Colei-os lá no fundo
Para escrever estória
Sem falar algo absurdo

A caneta já teve glória
O teclado é o novo mundo
A fixação é escrita uxória
Na bidimensional tela de fundo

Nesta tela azul claro serena
Vago comunas e me afundo
Minha alma se torna amena
Na gentileza de um poema mudo

Eis que então saio de cena
Revelando meu eu profundo
A internet torna-se pequena
Perto daquele antigo canudo

Que retratava a alma terrena
Em um pergaminho que dizia tudo
Inclusive o perfume da alfazema
Para quem persegue ideais recluso

Decimar Biagini

RIMA - ACHO QUE VAMOS DAR UM TEMPO

RIMA - ACHO QUE VAMOS DAR UM TEMPO

Estou escrevendo mais do que lendo
Isso me preocupa dia após dia
A melhor coisa do mundo é ir relendo
Mais do que aquilo que se copia

Criar também é bom, mas preciso ler
Memórias do Cárcere, Graciliano e outros
Preciso de secura alagoana na úmida alma
Guimarães Rosa, me deixa inteligente

O invencionismo dele é algo que acalma
Cada vez fico mais insatisfeito com o que faço
Olho coisas que fiz lá atrás, e pergunto, fui eu
Ando crítico com o perfeito, e assim me embaraço

Minha exigência é contumaz, o inocente se perdeu
Preciso urgente, falar com filósofos portugueses
Chega de ler traduções de europeus burgueses
Quero entender de corações sem pompas de franceses

Estou cansado, sinto que estou cansado
Preciso ficar afastado, antes que fique alienado
Chega do vício rimado, quero algo mais fundamentado

Decimar Biagini

TROVA AO LEITOR


O que há no mundo

Há no vão da solidão

Um vazio profundo

Quando sem emoção

.

Por isso devemos amar

Não importa o custo

Na obra a desvendar

No aconchego no busto

.

Na voz suave e envolvente

Ou na grave mais estridente

Esta nave do amor comovente

É o que cabe no céu da gente

.

Enquanto houver luar

Estrelas, poeta e musa

Haverá um versejar

Que ao leitor seduza

.

Decimar Biagini

SAXOFONE

Um instrumento adaptado
Duma boquilha do tipo clarinete
Um pedaço de madeira amadeirado
Foi na boquilha e fez-se vibrado
Colada uma palheta em falsete
Com som semelhante ao flauteado
Por Antonie Sax foi criado

A palheta está para o saxofone
Assim como a corda para o violão
Soprano, alto, tenor e barítono
Compõem as notas de maior utilização

Dentre os maiores saxofonistas
John Coltrane o maior que existiu
Mas para os brasileiros mais bairristas
Vale citar Victor Assis Brasil
Ou Pixinguinha dentre os saxo-flautistas

O primeiro solista, foi o Coleman
Cuja música de sucesso foi Body and Soul
Feliz como criança em carrinho de rolimã
Improvisava seus dedos e lábios e fazia show

Hawk, como também o chamavam
Esteve no Brasil e gravou o disco samba jazz
Deu azo aos que tanto o criticavam
Digamos de passagem que foi seu único revés

Em resumo, dentre os instrumentos transpositores
Em que a nota escrita não é a que ouvimos
Acertar o prumo, é para os talentos mais auscultadores
Afinal, o timbre do sax é o mais próximo dos humanos

Decimar Biagini

sexta-feira, 7 de maio de 2010

DIA DAS MÃES

CORRA QUE AINDA DÁ TEMPO

Ah, minha mãe, minha mãe,
É a mulher do meu pai!
Já dizia o poeta nordestino
Que ao explicar o seu destino
Não previa que no mês de maio
Sua música seria como um hino

Pois bem, as mães, figuras incríveis
Quem tem, até os cães, tem origens

Mesmo que guaipecas, mamamos também
E se fomos desmamados, tivemos o nestlê
Ou como noutra década, ticket leite do Sarney
Hoje mudaram os agrados, se fala em elegê

As mães modernas, as mães tradicionais
A grande maioria manteve a essência
Abriu as pernas, em partos naturais
Outras utilizaram a cesariana interferência
A fim de não incorrer em dores descomunais

Independente da cor, raça, credo, remuneração, imagine!
Este processo intergeracional somente se deu devido a elas
A humanidade deve muito mais que um colar na vitrine
Por isso, um grande abraço a todas as mães, eternas sentinelas

Decimar Biagini

UM ANO DECISIVO - ANO PAR

A revolução eleitoral está acontecendo
Bate a porta das casas e entra nos e-mails
E a pobreza continua nas filas sofrendo
O orçamento da saúde apresenta cortes feios
E a nobreza continua feliz, gorda e comendo

Surgem cabos eleitorais na sombra de titãs
Por alguns trocados seguram bandeirolas
Empresas de marketing com técnicas alemãs
Ensinam-lhes a persuadir jovens nas escolas

Um jornalista, vendo isso, resolve lutar com um artigo
O publica na capa de um jornal de grande circulação
Segue pelo corredor muito pensativo após pedir demissão
Ao sair na rua, nada mudou, era dia de jogo da seleção

Decimar Biagini

quinta-feira, 6 de maio de 2010

COMENTANDO A CONTRACULTURA

Mestre dos magos e lúdico poeta

Que se atreve na contracultura

O que propagas é filosofia certa

Dentro de uma literária conjuntura

.
Em cada obra que oferecestes

No vão da compreensão de si

Haverá mais do que percebestes

Pois tua publicação anda de per si

.

Emprestei-me de alguns trechos teus

Com o escopo de auferir compreensão

Confundi-me em teus versos também meus

.
Chegando ao ponto de fazer improvisação

Desisti do entendimento no calor da rima

E descobri que nosso poetar é diversão
Decimar Biagini

INCENTIVO FAMILIAR

- Vai superar todos os problemas menino, você vai ver. (t)- Vai tomar as decisões certas. (t)- Mas eu não tenho problemas. (m)- Tampouco tenho algo a decidir. (m)- Tsc, tsc. (t)- Tia, para de tomar este monte de comprimido, isso é faixa preta, minha mãe morreu de tando tomar isso. (t)- Você ainda não descubriu menino? (t)- Seu problema é não ter problemas. (t)- E tem que decidir logo após descobrir. (t)- Tá maluca tia? (m)- Até quando vai fingir que está tudo bem. (t)- Não entendi tia. (m)- Vai lá no fundo do pátio menino, você vai ver. (t)- Dá uma olhadinha perto do abacateiro. (t)- Tia! Tia! O pai se matou com uma corda no abacateiro. (m)- Tá vendo menino, falei que você tinha problemas. (t)- Tá tia, mas o que que há comigo? (m)- Com você nada, mas com o seu gen. (t)- Como assim tia? (m)- Tua família tem tendência suicida. (t)- Putz tia, que saco, eu aqui recém perdi meu pai e tu vem falando merda! (m)- Tá vendo, agora cabe a você decidir. (t)- Aproveita que teu pai não desgastou a corda. (t)- Ei, tia? (m)- Acorda tia! Acorda tia! Buaaaaa ! Não me deixa aqui sozinho tia! (m)- Tuft. (s d a)- Uem! Uem! Uem! (s)- E aí policial? Tem alguém vivo? (v)- Sei lá não sou legista! (p)- Tá mas não vai fazer nada? (v)- Tem razão, com o salário que ganho e vendo o que vejo todo dia, vou fazer sim. (p)- bang (38)- Ei, socorro! Alguém faz alguma coisa, o sargento acabou de meter uma bala na própria cabeça.Decimar Biagini(t) tia(m) menino(v) vizinho(s) sirene (p) policial(s d a) salto do abacateiro(38) advinha!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

AS COINCIDÊNCIAS


Eu ando sem grana
Lendo jornal velho
Sem um café bacana
Em um boteco chinelo
Em outra época lia Shakespeare

Em biblioteca na Capital
Hoje sequer há milkshake
E o cheiro do pastel me faz mal

Li sobre o Obama
Que embora de origem africana
Impera na terra americana

Lembrei do Otello
Um general mouro
Cujo romance era belo
Desdêmona lhe valia ouro
O sogro Brabâncio bateu o martelo
Acusando-o com o desaforo
De que fizera bruxaria no chipriano castelo
Ao conquistar sua filha sem tesouro

Otello fez sua defesa
Com relatos de amor
Obama é negro como Otello
Poderoso e corajoso
Falando em defesa,
Lembrei de outro honroso
Advogado como Obama,
E também negro na cor
Em 1967 pegou pertétua cana,
O líder Nelson Mandela

Acusado de ação de terror
Lutava pelos Bafana,
falava de liberdade com clamor
Divulgou a Carta da Liberdade Sul-Africana,
em tempos de pavor
Em que o Apartheid tirou-lhes a hospitalidade,
com gente de outra cor
Em 1993, ganhou o Prêmio Nobel da Paz,
em 1994 virou presidente

Mas o que tem a ver com aquele outro Rapaz?
Fora ser, negro, advogado, presidente,
ganhar o prêmio da Nobel da Paz
Ser íntegro, de bom grado, e valente...
Significa esperança em tempos sem romance
Pois nem só de Shakespeare vive nosso povo
Precisamos de ícones reais, para uma nova chance
De comer pastéis quentinhos em outra nuance
Ler bons livros e comprar jornal novo

Decimar Biagini

Cruz Alta-RS, 5 de 05 (outra coincidência) de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

VISITADOS PELO SONETO LIVRE


Depois de certos poemas

Os poetas então costumam

Lembrar do que vale a pena

Em versos que se aprumam

.

Por coincidência, fatos da vida

Criam-se no vácuo da amizade

E então, um dueto forma guarida

Aliam-se no obstáculo da saudade

.

E nesta querência virtual

Onde nos conhecemos, afinal

Há muito carinho e ternura

.

Pois sonetos com liberdade

Sem grilhões, sem grade

Geram a mais pura amizade

.

DECIMAR BIAGINI E VENUS BARRETO

2/5/2010

A VISITA DOMINICAL AO POETA AMIGO

A poesia na rede andava meio capenga
Sobrou muita prosa e faltou algum verso
Essa vida cobra o preço da pendenga
E o poeta se obriga a mudar de universo

Pois é "índio véio", andei muito longe
Sequer pousei por aqui nesses dias
Tem vezes que o poeta vira monge
Nem sempre a vida é feita de poesias

No mundo das letras anulamos o mal
Na conversa rimada a harmonia da mente
Pois o resultado é mais que virtual

Que este sonetiálogo dominical perdure
Como as visitas das tias de antigamente
E que nosso sonetiálogo amistoso nos cure.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

O RETORNO AO SONETO LIVRE

Antes de terminar meu sulino mate
Resolvi escrever um livre soneto
Como parafuso que precisa de alicate
Fui procurar na internet um dueto

Wasil não estava on, nem Vênus
Noutras comunas não curto quarteto
O melhor texto é o que não tivemos
Por isso te nomeio de livre soneto

Deixarei que critiquem tua gramática
E enquanto se perdem nisso riremos
Tu não és cartilha, nisso não há didática

Tu és torto e simples, como bem sabemos
Sem métrica, só sei nomear-te na temática
Vai soneto livre, que no leitor nos veremos

Decimar Biagini

Qual tema nos poemas mais te atrai?