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sábado, 15 de maio de 2010
PROFECIA COPEIRA
Houve um tempo em que:
domingo, 9 de maio de 2010
POETA CONTEMPORÃNEO
Do que está esquecido
E o poeta então deprimido
Será lembrado para sempre
Um objetivo a ser atingido
Nos portões da suja tirania
Não quero estar sucumbido
Antes de ganhar alguma valia
Meus poemas escondem
Grande parte da beleza
E as críticas correspondem
Ao curvar-se diante da realeza
Só os leitores é que respondem
Se há imortalidade na minha proeza
Decimar Biagini
sábado, 8 de maio de 2010
CANETA, FIXAÇÃO E PERFUME
Em que li estes motes
São signos profundos
Embora poucos notem
Por culpa da memória
Colei-os lá no fundo
Para escrever estória
Sem falar algo absurdo
A caneta já teve glória
O teclado é o novo mundo
A fixação é escrita uxória
Na bidimensional tela de fundo
Nesta tela azul claro serena
Vago comunas e me afundo
Minha alma se torna amena
Na gentileza de um poema mudo
Eis que então saio de cena
Revelando meu eu profundo
A internet torna-se pequena
Perto daquele antigo canudo
Que retratava a alma terrena
Em um pergaminho que dizia tudo
Inclusive o perfume da alfazema
Para quem persegue ideais recluso
Decimar Biagini
RIMA - ACHO QUE VAMOS DAR UM TEMPO
Estou escrevendo mais do que lendo
Isso me preocupa dia após dia
A melhor coisa do mundo é ir relendo
Mais do que aquilo que se copia
Criar também é bom, mas preciso ler
Memórias do Cárcere, Graciliano e outros
Preciso de secura alagoana na úmida alma
Guimarães Rosa, me deixa inteligente
O invencionismo dele é algo que acalma
Cada vez fico mais insatisfeito com o que faço
Olho coisas que fiz lá atrás, e pergunto, fui eu
Ando crítico com o perfeito, e assim me embaraço
Minha exigência é contumaz, o inocente se perdeu
Preciso urgente, falar com filósofos portugueses
Chega de ler traduções de europeus burgueses
Quero entender de corações sem pompas de franceses
Estou cansado, sinto que estou cansado
Preciso ficar afastado, antes que fique alienado
Chega do vício rimado, quero algo mais fundamentado
Decimar Biagini
TROVA AO LEITOR
O que há no mundo
Há no vão da solidão
Um vazio profundo
Quando sem emoção
.
Por isso devemos amar
Não importa o custo
Na obra a desvendar
No aconchego no busto
.
Na voz suave e envolvente
Ou na grave mais estridente
Esta nave do amor comovente
É o que cabe no céu da gente
.
Enquanto houver luar
Estrelas, poeta e musa
Haverá um versejar
Que ao leitor seduza
.
Decimar Biagini
SAXOFONE
Duma boquilha do tipo clarinete
Um pedaço de madeira amadeirado
Foi na boquilha e fez-se vibrado
Colada uma palheta em falsete
Com som semelhante ao flauteado
Por Antonie Sax foi criado
A palheta está para o saxofone
Assim como a corda para o violão
Soprano, alto, tenor e barítono
Compõem as notas de maior utilização
Dentre os maiores saxofonistas
John Coltrane o maior que existiu
Mas para os brasileiros mais bairristas
Vale citar Victor Assis Brasil
Ou Pixinguinha dentre os saxo-flautistas
O primeiro solista, foi o Coleman
Cuja música de sucesso foi Body and Soul
Feliz como criança em carrinho de rolimã
Improvisava seus dedos e lábios e fazia show
Hawk, como também o chamavam
Esteve no Brasil e gravou o disco samba jazz
Deu azo aos que tanto o criticavam
Digamos de passagem que foi seu único revés
Em resumo, dentre os instrumentos transpositores
Em que a nota escrita não é a que ouvimos
Acertar o prumo, é para os talentos mais auscultadores
Afinal, o timbre do sax é o mais próximo dos humanos
Decimar Biagini
sexta-feira, 7 de maio de 2010
DIA DAS MÃES
Ah, minha mãe, minha mãe,
É a mulher do meu pai!
Já dizia o poeta nordestino
Que ao explicar o seu destino
Não previa que no mês de maio
Sua música seria como um hino
Pois bem, as mães, figuras incríveis
Quem tem, até os cães, tem origens
Mesmo que guaipecas, mamamos também
E se fomos desmamados, tivemos o nestlê
Ou como noutra década, ticket leite do Sarney
Hoje mudaram os agrados, se fala em elegê
As mães modernas, as mães tradicionais
A grande maioria manteve a essência
Abriu as pernas, em partos naturais
Outras utilizaram a cesariana interferência
A fim de não incorrer em dores descomunais
Independente da cor, raça, credo, remuneração, imagine!
Este processo intergeracional somente se deu devido a elas
A humanidade deve muito mais que um colar na vitrine
Por isso, um grande abraço a todas as mães, eternas sentinelas
Decimar Biagini
UM ANO DECISIVO - ANO PAR
Bate a porta das casas e entra nos e-mails
E a pobreza continua nas filas sofrendo
O orçamento da saúde apresenta cortes feios
E a nobreza continua feliz, gorda e comendo
Surgem cabos eleitorais na sombra de titãs
Por alguns trocados seguram bandeirolas
Empresas de marketing com técnicas alemãs
Ensinam-lhes a persuadir jovens nas escolas
Um jornalista, vendo isso, resolve lutar com um artigo
O publica na capa de um jornal de grande circulação
Segue pelo corredor muito pensativo após pedir demissão
Ao sair na rua, nada mudou, era dia de jogo da seleção
Decimar Biagini
quinta-feira, 6 de maio de 2010
COMENTANDO A CONTRACULTURA
Mestre dos magos e lúdico poeta
Que se atreve na contracultura
O que propagas é filosofia certa
Dentro de uma literária conjuntura
.
Em cada obra que oferecestes
No vão da compreensão de si
Haverá mais do que percebestes
Pois tua publicação anda de per si
.
Emprestei-me de alguns trechos teus
Com o escopo de auferir compreensão
Confundi-me em teus versos também meus
.
Chegando ao ponto de fazer improvisação
Desisti do entendimento no calor da rima
E descobri que nosso poetar é diversão
Decimar Biagini
INCENTIVO FAMILIAR
quarta-feira, 5 de maio de 2010
AS COINCIDÊNCIAS
Eu ando sem grana
Lendo jornal velho
Sem um café bacana
Em um boteco chinelo
Em outra época lia Shakespeare
Em biblioteca na Capital
Hoje sequer há milkshake
E o cheiro do pastel me faz mal
Li sobre o Obama
Que embora de origem africana
Impera na terra americana
Lembrei do Otello
Um general mouro
Cujo romance era belo
Desdêmona lhe valia ouro
O sogro Brabâncio bateu o martelo
Acusando-o com o desaforo
De que fizera bruxaria no chipriano castelo
Ao conquistar sua filha sem tesouro
Otello fez sua defesa
Com relatos de amor
Obama é negro como Otello
Poderoso e corajoso
Falando em defesa,
Lembrei de outro honroso
Advogado como Obama,
E também negro na cor
Em 1967 pegou pertétua cana,
O líder Nelson Mandela
Acusado de ação de terror
Lutava pelos Bafana,
falava de liberdade com clamor
Divulgou a Carta da Liberdade Sul-Africana,
em tempos de pavor
Em que o Apartheid tirou-lhes a hospitalidade,
com gente de outra cor
Em 1993, ganhou o Prêmio Nobel da Paz,
em 1994 virou presidente
Mas o que tem a ver com aquele outro Rapaz?
Fora ser, negro, advogado, presidente,
ganhar o prêmio da Nobel da Paz
Ser íntegro, de bom grado, e valente...
Significa esperança em tempos sem romance
Pois nem só de Shakespeare vive nosso povo
Precisamos de ícones reais, para uma nova chance
De comer pastéis quentinhos em outra nuance
Ler bons livros e comprar jornal novo
Decimar Biagini
Cruz Alta-RS, 5 de 05 (outra coincidência) de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
VISITADOS PELO SONETO LIVRE
Depois de certos poemas
Os poetas então costumam
Lembrar do que vale a pena
Em versos que se aprumam
.
Por coincidência, fatos da vida
Criam-se no vácuo da amizade
E então, um dueto forma guarida
Aliam-se no obstáculo da saudade
.
E nesta querência virtual
Onde nos conhecemos, afinal
Há muito carinho e ternura
.
Pois sonetos com liberdade
Sem grilhões, sem grade
Geram a mais pura amizade
.
DECIMAR BIAGINI E VENUS BARRETO
2/5/2010
A VISITA DOMINICAL AO POETA AMIGO
Sobrou muita prosa e faltou algum verso
Essa vida cobra o preço da pendenga
E o poeta se obriga a mudar de universo
Pois é "índio véio", andei muito longe
Sequer pousei por aqui nesses dias
Tem vezes que o poeta vira monge
Nem sempre a vida é feita de poesias
No mundo das letras anulamos o mal
Na conversa rimada a harmonia da mente
Pois o resultado é mais que virtual
Que este sonetiálogo dominical perdure
Como as visitas das tias de antigamente
E que nosso sonetiálogo amistoso nos cure.
Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
O RETORNO AO SONETO LIVRE
Resolvi escrever um livre soneto
Como parafuso que precisa de alicate
Fui procurar na internet um dueto
Wasil não estava on, nem Vênus
Noutras comunas não curto quarteto
O melhor texto é o que não tivemos
Por isso te nomeio de livre soneto
Deixarei que critiquem tua gramática
E enquanto se perdem nisso riremos
Tu não és cartilha, nisso não há didática
Tu és torto e simples, como bem sabemos
Sem métrica, só sei nomear-te na temática
Vai soneto livre, que no leitor nos veremos
Decimar Biagini
