DECIMAR BIAGINI

DECIMAR BIAGINI
Advogado e Poeta Cruzaltense

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desculpas à AmazonaEu hoje me senti um cavalheiro pobreSem espírito, solitário, sem montaria, e caladoTão simples e vazio, nada valente ou nobreEu hoje, me perdi num potreiro podrePerdi a volúpia nas mãos que já não sentemDeixei-me abalar pelas palavras que omitemE entretanto, deixando, permiti que se despissemEm pranto, engoli o choro, neguei que o vissemJurei domar alguém, nem mesmo domei a mimAté o lábio sentiu frio, não era para ser assimMas de beijos febris, o passado ainda viveQuem sabe a esperança, suprirá a noite que não tive!Quantas vezes, depois do sonho, foi triste a realidade?Há meses, em pesadelo medonho, oculto a temeridade...Decimar Biagini

QUEBRANDO A TOLERÂNCIA

Caminhei cegamente pela rua
Não vi mendigos nem gente nua
Caminhei surdamente pela rua
Não ouvi buzinas nem a chuva

Por um momento, assoviando ao vento
Tive um sentimento, de puro isolamento
Era o sofrimento, de quem tem conhecimento

De que a vida é vazia e solitária
Angústia doída de querer ser ouvido
Mas sequer ter ação solidária

Então resolvi ouvir a dor dos indigentes
E vi que eu é que não agia como gente
Foi que tornei-me humano novamente
Não ver e não ouvir me tornara doente

Chamei então a atenção de um motorista
Expliquei que a buzina não retira um carro da frente
Achei a princípio que a idéia era otimista
Livrei-me de um murro convencendo aquela mente

As coisas foram mudando, o mendigo parou de beber
As ruas descongestionando, o motorista sem abastecer
Todos caminhando a pé pela avenida, a ouvir, sentir e ver
Almas na chuva se lavando, gotas de alegria, a sorrir e a viver

Decimar Biagini

terça-feira, 20 de outubro de 2009

MUSA DO POETA XUCRO

Não vem Morena, a te achar redomona
Facilita já te faço um filho na forja da minha rima
Te deito nos versos e me jogo por cima
E no eco dos teus urros já faço a doma

Não me cansa te pegar de jeito
E se acaso acontecer te pego na anca do poema
Assim tu te amansa e nem verás defeito
Nesse poeta grosso que te judia sem pena

Seguro-te na espora, e o verso vai se embora
Jogo-te sobre os arreios, e a coisa fica buena
No escutar do teu sussurro, me solto verso afora

Não adianta te esconder, que meu faro é de perdigueiro
Não adianta te fazer, que te convenço pelo cheiro
Cheiro de Índio Macho, daquele que te devora

Decimar Biagini 20/10/2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

NOSSO AMOR

Tentando decifrar a pureza do nosso amor
O porquê d”ele nos cativar e viciar loucamente
A saudade, o ópio, o cheiro, a pele, o sabor
Somos a terra que a chuva molha novamente

Úmidos e férteis, a buscar a colheita de quimeras
Uma nova e eterna aliança com fórmula antiga
Suave devaneio de propostas tão sinceras
Se existe sentimento maior, que alguém me diga

Nosso amor não precisa de símbolos,
É a suficiência na arte de sentir-se despido
Fizemos de nós nossos próprios ídolos,
Na própria imagem do que fora esculpido

Não existe maior alegria para um poeta,
que sentir e transcrever para sua amada
O quão apurada é a própolis do amor
Esmero de quem alcança a obra completa
A sentir o aplauso na chegada, em vitorioso sabor


Decimar Biagini

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

TUA VISITA

A concorrer com a noite densa e serena
Teus cabelos negros e suspiro calmo
Da boca rosada, te vi Rosa Morena
Na púrpura do verso que declamo

Tão doce a nossa cena sobre o sofá no saguão
Em meio à aula, os corpos estavam noutra sintonia
Os olhos estáticos, em mútua contemplação
Enquanto as mãos se tocavam o tempo corria

De vozes, carícias e trocas de olhares
A noite se fazia tépida, estrelada e núbia
As pálpebras, a pele, o sorriso de volúpia
Aos poucos despiam os véus lunares

A carne ainda intocada, os braços a buscar parada
Já era hora da retirada, e a porta se fez fechada
Na partida da namorada, a saudade entra na morada

Decimar Biagini

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

AMAR É ARRISCAR

Nem tudo são flores
Eu sei bem disso
Mas o que são os amores
Se pensarmos nisso

A investida cega
A mão no fogo
O fugir da regra
O enfiar o pé no lodo

Dar crédito a quem não tem
Confiar sem ter chão
O amor é a sorte que convém
A quem crê no coração

Decimar Biagini

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ACRÓSTICO NOVA ORDEM DA POESIA

N ão é o novo
O velho refeito
V álvula do povo
A modificar o perfeito

O mundo precisa
R efazer a organização
D a frase concisa
E m renovação
M otriz da vida

D a nova ordem
A nova sina dos versos

P oetas da nova era
O rganizam o movimento
E spalham pela atmosfera
S uas razões e sentimentos
I nvertem o giro da Terra
A rabiscar o encantamento.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

domingo, 11 de outubro de 2009

ACORDANDO COM A VIDA

Tu és, o preciosismo da aurora
Eu só acordo para a vida
Quando tua voz é ouvida
Sem ela, a monotomia me devora

Meu corpo é apenas matéria
Mas junto ao teu é felicidade
Longe dele, sou a pura miséria
A fudir de minha verdade

Quisera eu extinguir a dependência
Deste vício, que tomou conta de mim
Mas de que adiantaria a independência
Se não pudesse gozar do amor até o fim

Decimar Biagini

sábado, 10 de outubro de 2009

SONETO A TI

Quando eu não te vejo
A noite se faz em claro
Na saudade do teu beijo
O melhor verso declaro

O pensamento apaixonante
Que separa o homem do sentir
Castiga-me naquele instante
Em que te vejo pela porta sair

E quando digo que a vida passa rápido
São frases que se confirmam na tua presença
Por que o tempo é tão frio e árido

Verdadeiro deserto, quando a saudade é intensa
Mas quando por perto, tu me deixas ávido
A perceber por certo, que o amor é a diferença

Decimar Biagini

UM SONETO COM SACHARUK


Sacha veio de um tempo
Em que as estrelas desciam do firmamento
Onde parava-se o vento
Com a força do mais filosófico pensamento

Parceriar com Sacharuk
É como retratar um fim de tarde
É duelo de "gran" mamute
É pisar no chão em alarde

O poeta em sua brilhante companhia
Torna-se herói sem glória
A preencher com letras a vida vazia

A fazer nos versos sua história
No entrelaçar de um soneto
Como se fosse o último dueto

Decimar Biagini

Homenagem ao
Poeta-Artista-Mago-Professor-Músico Wasil Sacharuk

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SONETO LIVRE AO DINHEIRO




Ele retém informações
Que estariam em benefício de vocês
Ele sufoca emoções
Que estariam em benefício de vocês

Ele distorce valorações
Que estariam em benefício de vocês
Ele trás frustrações
Que só geram prejuízo para vocês

Ele está em bolsas, em previsões
Que só geram incerteza a vocês
Ele gera guerras e escravizações

Mesmo assim, é um deus para vocês
Ele não entra no paraíso das religiões
Por que então é tão valioso para vocês?

Decimar Biagini

domingo, 4 de outubro de 2009

P ríncipe das palavras
O artífice dos poemas
E is que poesia é sua arte
T inteiro é o estandarte, e
A s armas são suas penas

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

SOBREVIVÊNCIA

S ortilégio
O bsessão
B ruxaria
R enovação
E nsinaria
V asta visão
I maginaria
V ultos na
Ê nfase
N aturalista da
C ultura
I merso em ternura
A viajar na mente

AUTO-RETRATO TRISTE

Correm os olhos sob as tábuas
Baixam lentamente, rumo ao canto
Afoga-se o peito em mágoas
Soa a música em puro pranto

Na tomada, existe algo plugado
Mas o desânimo foge da alçada
Sequer escuto o televisor ligado
A mente parece viajar na madrugada

Corro a barra de rolagem ansioso
Sinto que prefiro ser aquilo que não pude
O único consistente, é o verso formoso
A rima já formou opinião, mesmo que rude

Amanhã eu odiarei este versejar
Pois retratará minha fraqueza
Prefiro então não mais comentar
Quiça recolher as cartas da mesa

O que me resta, é dormir
E torcer para que esqueça o que disse
Antes que a verdade queira surgir
E que eu possa me retirar,
Antes que eu mesmo a visse

No tracejar do retrato poético....

Decimar Biagini

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MUSA DO MATE

Por vezes paro e penso
Que estou a pensar demais
Prefiro escutar nosso silêncio
No chimarrear da vida que me apraz

Tu és majestosa amada e companheira
Mesmo quando longe moras comigo no coração
A manter-me vivo de segunda à sexta-feira
A ser no final de semana minha grande inspiração

No cevar do mate, somos cúmplices no amor
Mantendo sonhos no sorver da vida
Trocando experiências e minimizando a dor

Ao chimarrear no catre, fomos sempre a saída
A trilhar caminhos na certeza do amanhã
No juntar das forças, para o sucesso na lida

Decimar Biagini

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